SOLUÇÕES PARA OS REJEITOS

Os rejeitos da barragem de Fundão impactaram cursos d´água, solo, nascentes, o próprio rio Doce e sua foz, no litoral do Espírito Santo. São várias as tecnologias empregadas nas soluções para esses rejeitos, como a revegetação e reconformação das margens, para controle da erosão, e a recomposição da mata ciliar. Essas ações contribuem para a recuperação ambiental de toda a bacia – criando condições para um ambiente com mais biodiversidade – e nos dados de qualidade da água do rio, que está em condições similares às de antes do rompimento.

PLANOS DE MANEJO DE REJEITOS

Mais de 80 especialistas foram reunidos pela Fundação Renova para desenvolver os Planos de Manejo de Rejeitos. A região atingida abrange 670 km de cursos d’água e foi dividida em 17 trechos. Ações e técnicas adequadas foram definidas para a reparação de cada um deles, a partir dos indicadores específicos, como volume, espessura e características do rejeito, além das condições do meio ambiente.

 

 

  • Até o momento, foram definidas as ações para os trechos que correspondem ao traçado de Mariana até a divisa de Barra Longa.
  • No trecho do rio Gualaxo do Norte, entre os córregos Camargo e Santarém, foi iniciado o processo de renaturalização (instalação de troncos na calha do rio para restabelecer condições ambientais favoráveis à biota aquática).

  • No rio Gualaxo do Norte foi implantado projeto-piloto das Estações de Tratamento Natural (ETN), que utiliza barreiras filtrantes e ilhas de vegetação na calha do rio para filtrar a água e absorver metais. 
  • A retirada dos rejeitos, até o momento, ocorreu em dois locais: Barra Longa (MG), município com área urbana atingida diretamente pela lama, e cachoeira de Camargos, distrito de Mariana (MG), com a limpeza da área do lago atendendo ao pedido da comunidade.
  • O rejeito não é tóxico. Contém elementos que ocorrem naturalmente no solo (rico em ferro, manganês e alumínio), areia (sílica) e água.
    O sedimento foi caracterizado como não perigoso em todas as amostras, segundo critérios da norma brasileira de classificação de resíduos sólidos.

A USINA HIDRELÉTRICA RISOLETA NEVES (CANDONGA) TEVE UM PAPEL FUNDAMENTAL NA RETENÇÃO DE 10,5 MILHÕES M³ DE REJEITOS, IMPEDINDO QUE ELES SEGUISSEM PARA A CALHA DO RIO DOCE. DAR À USINA CONDIÇÕES DE RETOMAR SUA OPERAÇÃO ENVOLVE SOLUÇÕES DE ENGENHARIA INOVADORAS E INÉDITAS. TRÊS BARRAMENTOS METÁLICOS FORAM CONSTRUÍDOS DENTRO DO RESERVATÓRIO DA USINA. 959 MIL M³ DE MATERIAL FORAM BOMBEADOS DO RESERVATÓRIO DA USINA.

AÇÕES DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL

Os rios Gualaxo do Norte e Carmo, que sofreram o primeiro impacto ambiental do rompimento de Fundão, já respondem às ações executadas pela Fundação Renova. Os resultados do monitoramento da qualidade da água mostram que a turbidez está decaindo a cada ano. Esses 100 primeiros quilômetros, entre Mariana e Santa Cruz do Escalvado, em Minas Gerais, receberam ações ainda em 2015. Foi realizada a limpeza dos leitos, plantio emergencial de vegetação e a estabilização das margens dos rios. Na sequência foi iniciada a recomposição da mata ciliar, fundamental para a saúde dos cursos d’água.

  • Cerca de 800 hectares de plantio emergencial para controle de erosão.
  • 113 afluentes recuperados – pequenos rios que alimentam o alto do rio Doce.
  • Ações para controle de erosão e reconformação de margens, por meio de obras de bioengenharia em planícies.
  • Caminhos de drenagem refeitos entre Mariana e Rio Doce (MG).

Estudos Universidade Federal de Viçosa (UFV)

  • Estudo coordenado pela doutora Maria Catarina Megumi Kasuya, especialista em microbiologia do solo comprovou que a revegetação emergencial acelerou o aumento da diversidade de microrganismos no solo. Pesquisa vai embasar produção de mudas em viveiros na bacia do rio Doce.
  • Não há limitações para o cultivo direto no rejeito. Pesquisas conduzidas pelo professor doutor Carlos Schaefer, especialista em solos, monitoram o solo diretamente atingido pelo rejeito desde 2015 e mostraram que não há riscos para o plantio em propriedades que receberam ações de reparação.
    60 pontos de coleta do solo, distribuídos entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, geram amostras para análises periódicas sobre a toxicidade do solo e a natureza do rejeito depositado.
  • Em outro estudo comandado pelo professor Sebastião Venâncio, doutor em botânica, foram plantadas 41 mil mudas de espécies nativas em 41,5 hectares de área impactada. Diferentes experimentos demonstraram uma alta capacidade de regeneração do solo com rejeito, diversidade de plantas cultivadas e um bom desenvolvimento de mudas. A pesquisa também constatou que o rejeito não representa um impedimento para a regeneração natural por não conter substâncias tóxicas.

Reparação Integrada de Propriedades Rurais

A Fundação Renova apoia os produtores rurais que foram impactados pela passagem do rejeito por meio da implantação de um modelo de produção econômica sustentável adequado à realidade local. Entre as ações têm destaque o fomento e o apoio à readequação ambiental dessas propriedades conforme preconizam as normativas da legislação brasileira.

PROPRIEDADES NA REGIÃO DO ALTO RIO DOCE

Localizadas em um trecho de 100 quilômetros entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.

  • Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP) da bacia do rio Gualaxo do Norte e da microbacia do rio do Carmo concluído.
  • Aproximadamente 200 propriedades diagnosticadas e monitoradas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA) – mais de 4.000 índices avaliados.
  • Mais de 180 propriedades rurais estão recebendo ações para promover a retomada de suas atividades agropecuárias.
  • Todas essas propriedades são elegíveis ao Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (PASEA), que tem como objetivo promover a adequação ambiental, melhoria de estruturas rurais, entre outras medidas.
    O PASEA foi criado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e colocado em prática por meio da parceria da Fundação Renova com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
  • Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER):  mais de 3.800 horas realizadas a partir do segundo semestre de 2019 até o momento.

 

Outras 5 mil horas de ATER foram realizadas por equipes da Fundação Renova, entre janeiro de 2017 e agosto de 2019, em propriedades rurais atingidas. O objetivo é promover a conservação de recursos naturais, práticas de produção sustentável e apoio direto às famílias na gestão da propriedade e comercialização dos produtos, complementando a visão integrada dos PASEAs.

PRODUÇÃO E CONSERVAÇÃO

  • Cerca de 160 hectares  impactados pelo rompimento da barragem de Fundão são passíveis de plantio de cultura agrícola e serão recuperados.
  • Mais de 2.800 hectares de áreas que não sofreram impactos serão requalificados, sendo 1.400 hectares já executados, ampliando-se a cadeia de sustentabilidade econômica e ambiental da região.
  • 25 Unidades Demonstrativas serão implantadas.
  • 16 propriedades já possuem Unidades Demonstrativas implantadas na região do Alto Rio Doce.
  • 780 infraestruturas rurais simples concluídas, entre currais, chiqueiros e galinheiros.
  • 437 barraginhas construídas para armazenar água da chuva.
  • Mais de 49 mil toneladas de silagem entregues para produtores rurais impactados.
  • 187 nascentes cercadas e 48 nascentes com plantio florestal realizado.

A melhoria genética do rebanho bovino das propriedades rurais atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão está entre os trabalhos executados pela Fundação Renova. Conhecida como Renova Rebanho, a iniciativa tem como objetivo aumentar a produção de leite, aliando a tecnologia da inseminação artificial com técnicas de manejo. Até o momento, foram registrados 569 nascimentos de bezerros.

PROPRIEDADES NAS REGIÕES DO MÉDIO E BAIXO RIO DOCE

Localizadas no trecho após a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves até Linhares (ES), na região da foz do Rio Doce.

  • 273 famílias em assentamentos rurais nos municípios de Tumiritinga e Periquito, em Minas Gerais, e Linhares, no Espírito Santo estão recebendo ações de assistência técnica.
  • 257 propriedades diagnosticadas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA).
  • Mais de 7.300 horas realizadas de Assistência Técnica e Extensão Social (ATES).
    Modalidade de assistência adaptada ao arranjo familiar dos assentados da reforma agrária.
  • Mais de 600 propriedades rurais nas regiões do médio e baixo Rio Doce receberão ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).

A PARTIR DE FEVEREIRO DE 2021 PRODUTORES RURAIS DE MUNICÍPIOS DO MÉDIO E BAIXO RIO DOCE RECEBERÃO SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL (ATER) PARA AUXILIAREM NO PROCESSO DE FORTALECIMENTO E RETOMADA DAS ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS. AS ATIVIDADES SERÃO REALIZADAS EM 4 MUNICÍPIOS CAPIXABAS E 29 MUNICÍPIOS MINEIROS.

Restauração Florestal

A Fundação Renova atua de forma integrada para revitalização ambiental da bacia do rio Doce, unindo ações para proteção de nascentes, recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas de recarga hídrica. A ação nessas áreas contribui para a melhoria da qualidade e quantidade de água de mananciais alternativos na região.

  • 40 mil hectares de APPs serão restaurados, sendo 10 mil hectares com plantio direto de, aproximadamente, 20 milhões de mudas.
  • 5 mil nascentes serão recuperadas em Minas Gerais e no Espírito Santo.
  • R$ 1,5 bilhão será destinado para as iniciativas de restauração florestal, uma das maiores do país em uma bacia hidrográfica.
  • Mais de 1.100 hectares de Áreas de Preservação Permanente e áreas de recarga hídrica estão em fase de implantação nos municípios de Governador Valadares, Coimbra, Periquito e Galileia, em Minas Gerais; e Colatina, Marilândia e Pancas, no Espírito Santo.
  • 375 propriedades rurais são parceiras nas ações de restauro florestal.
  • 888 nascentes estão com o processo de recuperação iniciado.
  • 450 propriedades rurais participam das ações para recuperação de nascentes. 
  • Cerca de 250 mil mudas foram plantadas na recuperação das nascentes
    Parceria com o Centro de Formação Francisca Veras, organização de Governador Valadares formada por famílias assentadas e mediadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), possibilitará a restauração florestal de 180 hectares de Áreas de Preservação Permanente e de Recarga Hídrica em quatro assentamentos mineiros, situados em Santa Maria do Suaçuí, Periquito, Campanário e Jampruca.

Pagamento por Serviços Ambientais (PSA): R$ 397 mil pagos a produtores rurais na Bacia do rio Doce, até o momento, por se comprometerem a permitir o restauro de nascentes, APPs, ARHs, mananciais ou fontes de água em suas propriedades.

INVENTÁRIO FLORESTAL

O Inventário Florestal realizado pela Fundação Renova é um dos maiores em andamento no país e está criando um banco de dados sobre as condições florestais da bacia do rio Doce, com informações sobre a variedade e condições da vegetação e fertilidade do solo. Nas áreas avaliadas, as árvores são marcadas com plaquetas e têm suas informações disponibilizadas por QR Code. O objetivo é criar uma referência do ecossistema para nortear as ações de restauração florestal da Fundação Renova, mensurar e comparar o avanço do processo de recuperação ambiental com os ecossistemas de referência da bacia. 

 

Qualidade da Água

A água do rio Doce pode ser consumida após passar por tratamento convencional nos sistemas públicos de abastecimento de água. É o que indicam os mais de 1,5 milhão de dados gerados anualmente por um dos maiores sistemas de monitoramento de cursos d’água do Brasil. Desde 2017, a bacia do rio Doce tem pontos de monitoramento e estações automáticas que permitem acompanhar, ao longo do tempo, sua recuperação e gerar subsídios para as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Esse banco de dados confiável sobre as condições do rio é compartilhado com os órgãos públicos que regulam e fiscalizam as águas do Brasil.

  • Mais de 1,5 milhão de dados gerados pelo programa de monitoramento por ano.
    Os dados estão disponíveis no portal monitoramento Rio Doce, em forma de gráficos e mapas, sendo possível fazer o download das informações em planilhas. A plataforma é um projeto do Programa de Monitoramento Quali-Qualitativo Sistemático de Água e Sedimento (PMQQS) conduzido pela Fundação Renova sob orientação e supervisão  do Grupo Técnico de Acompanhamento (GTA-PMQQS).
  • 650 quilômetros de monitoramento de rios e lagoas, mais 230 quilômetros de monitoramento ao longo das zonas costeira e estuarina.
  • Pontos de monitoramento distribuídos no rio Doce e na zona costeira indicam que a água bruta pode ser consumida após tratada.
  • Estações automáticas geram informações em tempo real e os dados são usados no planejamento dos sistemas de abastecimento das cidades.
  • Amostras de água e de sedimentos são recolhidas em diferentes pontos, gerando informações sobre a recuperação ambiental da bacia. São analisados parâmetros físicos, químicos e biológicos.
    Para  divulgar os dados levantados pelo monitoramento, foi criado o Boletim das Águas. O material traz informações sobre a qualidade da água bruta (sem tratamento), níveis de metais encontrados e índices técnicos, entre outros dados, em formato mensal e trimestral. Todos os meses são disponibilizados dados sobre o monitoramento dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce. E, a cada três meses, informações sobre o monitoramento das lagoas, estuários e zona costeira. Saiba mais
  • Mais de 300 pontos de monitoramento de água para consumo humano em 30 municípios.

Seis órgãos participam desse trabalho, por meio de um Grupo Técnico de Acompanhamento: Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo (Agerh) e Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA).

Para saber mais:

Portal Monitoramento Rio Doce

Biodiversidade

A Fundação Renova atua em duas frentes nas ações de biodiversidade, ambas com foco no monitoramento e elaboração de estudos relacionados aos impactos do rompimento da barragem de Fundão – são os estudos da flora e da fauna terrestres e da biota aquática do rio Doce e o monitoramento marinho. Do resultado desse trabalho conjunto, serão estabelecidas as diretrizes para preservação do ecossistema ao longo do rio Doce no trecho impactado, na foz e na zona costeira, conclusões acerca do consumo de pescado na alimentação humana e sobre a liberação da pesca de espécies nativas sem ameaça à continuidade da fauna local, entre outras.

Fauna e flora terrestres

  • Monitoramento vai detectar os níveis de metais residuais em vertebrados e invertebrados, na flora terrestre, nas ilhas fluviais e no solo ao longo do rio Doce.

Biota aquática e marinha

  • Parcerias com instituições de ensino e pesquisa  para monitoramento da biodiversidade aquática no Espírito Santo e em Minas Gerais.
  • Parceria com a Fundação Biodiversitas para a avaliação do estado de conservação de peixes e invertebrados aquáticos nativos do rio Doce.
  • Parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) para monitoramento da biodiversidade de ambientes aquáticos de Minas Gerais em áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Projeto em parceria entre as fundações Renova e Pro-Tamar monitora as condições das tartarugas marinhas em uma área que abrange 159 km de praias do Espírito Santo. O monitoramento agora conta com transmissores via satélite, colocados, inicialmente, em 10 fêmeas da espécie cabeçuda (Caretta Caretta), em Regência, município de Linhares (ES). 

Impactos em Unidades de Conservação

  • Unidades de Conservação (UCs) podem ter sido direta ou indiretamente afetadas pelo rompimento da barragem.
  • Os estudos de avaliação de impactos foram concluídos para 6 Unidades de Conservação avaliadas e seguem em andamento para as demais.

A Fundação Renova custeará ações para consolidação do Parque Estadual do Rio Doce (MG) e do Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz (ES), além da construção da sede, elaboração e execução do Plano de Manejo da nova Área de Proteção Ambiental na foz do rio Doce (ES), que ainda será criada pelo poder público.

Recuperação da Fauna Silvestre

Outra frente de trabalho atuará na construção e aparelhamento de dois Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), um em Minas Gerais e outro no Espírito Santo. Após as entregas, a Fundação Renova deverá assegurar recursos para a manutenção dos dois CETRAS por um período de três anos.