Fundação Renova

Manejo de Rejeito


O que é o rejeito?

É o resíduo do tratamento do material extraído na mineração. Depois da separação do metal de interesse — que pode ser ferro, cobre, ouro — o restante vira rejeito.

Na região de Mariana, em Minas Gerais, ele surge de uma grande quantidade de ferro em partículas, que estão misturadas ao próprio solo. Assim, sua mineração requer que grandes blocos de rocha e terra sejam triturados, lavados e peneirados continuamente.

Aos poucos, o ferro fica isolado. O que sobra — chamado de rejeito — é uma lama, mantida em barragens. O processo também requer o uso de alguns aditivos, semelhantes aos presentes em produtos de limpeza doméstica.

Fundão armazenava um rejeito desse tipo. Ele não era tóxico, uma vez que continha essencialmente elementos do solo (rico em ferro, manganês e alumínio), sílica (areia) e água. O sedimento foi caracterizado pela Norma Brasileira de Classificação de Resíduos Sólidos (NBR) como não perigoso em todas as amostras.

Saiba mais sobre as ações da Fundação Renova voltadas para o manejo de rejeitos  no especial Reparação Integrada

PERGUNTAS FREQUENTES

 

QUANTO VAZOU?

SOLUÇÕES PARA O REJEITO

Uma etapa importante do caminho da reparação envolve a busca de soluções para os rejeitos que se espalharam pelo rio Doce e seus afluentes. Para buscar os melhores caminhos, a Fundação Renova ouviu mais de 80 especialistas e, a partir de tudo que foi apresentado, criou o Plano de Manejo de Rejeito em junho de 2017.

O plano dividiu a região atingida, que abrange 670 km, em 17 trechos, de Mariana (MG) a Linhares (ES), na foz do rio Doce. Cada um deles é avaliado de acordo com indicadores específicos. A partir desta análise detalhada, são definidas e implantadas soluções que têm como princípio o menor impacto ao meio ambiente e ao entorno, inclusive comunidades.

A partir desse princípio, a Fundação Renova concluiu que concentraria as ações de retirada dos rejeitos em Barra Longa (MG), único município com área urbana atingido diretamente pela lama, e na Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). As demais áreas receberiam ações de recuperação ambiental e social.

AÇÕES PARA A REPARAÇÃO

As ações de reparação foram iniciadas logo após o desastre, com a limpeza dos leitos e a estabilização das margens dos rios Gualaxo do Norte e do Carmo, entre Mariana e Santa Cruz do Escalvado, em Minas Gerais.

Realizou-se uma revegetação emergencial para evitar a erosão e que, em períodos chuvosos, esse material voltasse para o rio. A técnica também possibilita a volta da matéria orgânica que o solo precisa para restabelecer a vegetação da mata ciliar. Nas margens e planícies do rio Gualaxo do Norte, a vegetação está sendo recuperada e enriquecida com espécies nativas.

  120 mil mudas de espécies nativas introduzidas em uma área de 120 hectares

O RIO RESPONDE

1 – Reconformação

Foram realizadas ações para evitar que a lama acumulada na parte externa dos rios caísse em seus leitos. Entre elas, a remoção de rejeitos e a plantação de espécies nativas de rápido crescimento para combater a erosão.

2 – Mantas

Para reestruturar margens, procurou-se fazer um trabalho de recuperação que fosse o mais natural possível. Para isso, utilizou-se mantas feitas com fibra de coco, biodegradáveis, que também seguram sementes.

3 – Enrocamento

Outra solução adotada foi o enrocamento, que é colocar pedras ao longo das margens para evitar erosão em épocas de chuva. Usam-se bermalongas com fibras naturais (estacas de madeira) para estabilizar a margem.

4 – Revegetação emergencial

Realizou-se a revegetação emergencial com 41 mil mudas para evitar a erosão e para trazer de volta a matéria orgânica que o solo precisa para restabelecer a vegetação da mata ciliar.

5 – Recomposição da mata ciliar

Após as primeiras etapas de plantio emergencial de vegetação e reconformação das margens dos rios, foi iniciado, em janeiro de 2018, o processo de recomposição da mata ciliar, com o plantio de espécies de árvores nativas.

6 – Monitoramento

Os dados medidos pelas estações automáticas são armazenados localmente e enviados para um banco de dados acessível pelos órgãos públicos que regulam e fiscalizam as águas do Brasil. Os resultados do monitoramento da qualidade da água realizado pela Fundação Renova no rio Gualaxo do Norte mostram que a turbidez está decaindo a cada ano, comparando-se com o fim de 2015, no imediato pós-rompimento, quando a turbidez estava em seu auge.

7 – Renaturalização

Para promover o retorno do ecossistema aquático, utilizou-se a técnica de renaturalização, que cria áreas de remanso na margem do rio, o que dificulta a descida dos rejeitos e minimiza a turbidez.

Manejo de Rejeito

UHE RISOLETA NEVES

Uma das áreas mais atingidas pelo rejeito é a região da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (conhecida como “Candonga”), localizada no limite dos municípios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, em Minas Gerais.

A usina teve um papel fundamental na retenção de mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos (um quarto do que vazou de Fundão), impedindo que seguissem para a calha do rio Doce. A limpeza do reservatório é uma operação complexa que teve início em 2016. Dar à usina condições de retomar sua operação envolve soluções de engenharia inovadoras e inéditas.

Para a contenção da lama de rejeito que ainda poderia chegar de Fundão, foram construídos três barramentos metálicos dentro do reservatório da usina, onde ficarão submersos após o enchimento do reservatório.

  1 milhão de m³ de material que estava depositado em um trecho de 400 m em Candonga foi retirado
Manejo de Rejeito

MONITORAMENTO COM USO DE DRONES

Uma das práticas tecnológicas mais eficazes para o monitoramento de áreas atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão é o uso de drones. Realizado desde 2016, o objetivo central da aplicação desta tecnologia é quantificar as alterações na cobertura vegetal e mapear a melhoria das características das áreas impactadas, de Fundão até a região da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves.

Durante diferentes períodos, os drones capturam imagens de toda a região impactada. Essas imagens servem como acompanhamento visual do antes, durante e depois das atividades de reparação. Sua aplicação vai além do visual: esse material é encaminhado aos analistas em sistemas de informação geográfica, que realizam a interpretação desse conteúdo, resultando em mapeamentos do uso e cobertura vegetal do solo.

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