Fundação Renova

Manejo de Rejeito


O que é o rejeito?

É o resíduo do tratamento do material extraído na mineração. Depois da separação do metal de interesse — que pode ser ferro, cobre, ouro — o restante vira rejeito.

Na região de Mariana, em Minas Gerais, ele surge de uma grande quantidade de ferro em partículas, que estão misturadas ao próprio solo. Assim, sua mineração requer que grandes blocos de rocha e terra sejam triturados, lavados e peneirados continuamente.

Aos poucos, o ferro fica isolado. O que sobra — chamado de rejeito — é uma lama, mantida em barragens. O processo também requer o uso de alguns aditivos, semelhantes aos presentes em produtos de limpeza doméstica.

Fundão armazenava um rejeito desse tipo. Ele não era tóxico, uma vez que continha essencialmente elementos do solo (rico em ferro, manganês e alumínio), sílica (areia) e água. O sedimento foi caracterizado pela Norma Brasileira de Classificação de Resíduos Sólidos (NBR) como não perigoso em todas as amostras.

PERGUNTAS FREQUENTES

Saiba mais sobre o manejo de rejeitos nas áreas impactadas

Quanto vazou?

Aguarde, não há atualizações no momento.

Como o rejeito se espalhou?

Quando a barragem do reservatório de Fundão se rompeu — às 15h45 do dia 5 de novembro de 2015 —, uma onda de rejeito começou a percorrer os rios da região em direção ao mar. Ao longo de quase 670 km, a lama causou impactos de diferentes tipos e intensidades.

Nos pontos mais críticos (os primeiros 113 km), ela formou pilhas em locais mais estreitos e avançou por margens nas planícies. Também arrastou árvores e construções.

Altos níveis de contaminantes foram encontrados na água do rio Doce em medições feitas logo após o rompimento da barragem. Essas alterações estavam relacionadas a substâncias acumuladas no fundo e nas margens dos rios por onde a onda de lama passou, e que se depositaram ali ao longo de séculos de práticas ambientais inadequadas.

No começo de 2016, os níveis de contaminantes voltaram à situação anterior ao rompimento da barragem, como mostra o relatório de Março de 2017 do Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas), que há 20 anos monitora a região do rio Doce.

Conheça o trabalho de monitoramento de água executado pela Fundação Renova.

Manejo de Rejeito
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Com o rompimento da barragem, o rejeito saiu de Fundão e seguiu o curso do córrego Santarém, situado em um vale estreito e relativamente íngreme. A vazão de um grande volume de lama fez desaparecer seu leito e suas margens sob uma onda que chegou a atingir 30 metros de altura e avançou em grande velocidade. Em um trecho curto (cerca de 1,2 km até a barragem de Santarém), a vegetação e grossas camadas de solo foram arrancadas, desnudando as rochas das encostas.

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Depois de passar pelo reservatório de Santarém, a massa em movimento perdeu velocidade e registrou picos de altura menores (de até 15 metros), mas continuou arrastando a vegetação pelo caminho.

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No encontro do Santarém com o córrego Mirandinha, quase 6 km abaixo de Fundão, a avalanche de lama e detritos atingiu um estreitamento de relevo e uma barreira se formou, bloqueando a passagem. Daí, retornou e atingiu o Mirandinha por cerca de 2,7 km, até que a pressão do próprio acúmulo de materiais rompeu o bloqueio e a onda avançou. Essa situação se repetiu em outros estreitamentos do rio Gualaxo do Norte.

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Cerca de meia hora depois do rompimento, e quase 8 km adiante, o fluxo chegou ao distrito de Bento Rodrigues, localizado em uma área aberta que precede outro vale estreito, onde o Santarém deságua no Gualaxo do Norte. Ali, um novo represamento provocou um violento remanso, com ondas que chegaram a 30 metros e se espalharam lateralmente por um raio de mais de 4 km. Essa situação fez com que boa parte do povoado de Bento Rodrigues ficasse sob a lama.

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Após vencer a garganta do Gualaxo do Norte, a onda avançou por 70 km até o rio do Carmo. Na passagem, alcançou até 30 metros de altura em passagens estreitas ou se espalhou por até 50 metros nas margens das áreas abertas. Florestas, pastos, plantações, antigas lagoas de mineração e mesmo lagoas naturais ficaram encobertas. Logo no início do trecho, estava o distrito de Paracatu de Baixo (pertencente ao município de Mariana), que teve mais da metade de sua área destruída, mas a população já havia sido retirada do local.

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No Carmo, rio de leito mais largo e localizado em região de topografia mais plana, a lama se espalhou pelas planícies de inundação (áreas que o rio costuma encobrir em épocas de cheia) sem atingir grandes alturas. Ainda assim, foi o bastante para invadir parte das ruas da porção urbana de Barra Longa, município à beira-rio, localizado a pouco mais de 80 km de Fundão. Um pouco antes, arrastou algumas construções da parte baixa do distrito de Gesteira (pertencente a Barra Longa).

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Aos 100 km de percurso, a lama atingiu o rio Doce, formado pela junção do rio do Carmo com o rio Piranga. Nessa altura, a onda já não se espalhava com tanta intensidade para além da calha do rio.

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Mais alguns poucos quilômetros e o rejeito atingiu a usina hidrelétrica Risoleta Neves (também conhecida como Candonga), no município de Rio Doce. A usina foi decisiva na contenção de danos. Isso porque seu reservatório segurou boa parte das partículas mais pesadas do rejeito. Calcula-se que um quarto de toda a lama que vazou de Fundão ficou ali, algo em torno 10,5 milhões de m3.

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O percurso de 113 km até Candonga, reteve metade da lama que vazou de Fundão, principalmente no reservatório da usina. Suas comportas (abertas por medida de segurança) deram vazão à outra metade, formada por partículas mais finas e leves, que se misturaram à água do rio Doce por mais de 550 km até a foz. Nesse longo trecho até o mar, o rejeito ficou praticamente restrito ao leito do rio.

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Vencida a foz do rio Doce, no município de Linhares, o rejeito encontrou o oceano, onde se espalhou pela costa litorânea. Parte dele se depositou no fundo do mar, parte foi levada às pedras e areias da praia pela arrebentação. Estudos estão sendo conduzidos para compreender a dispersão do rejeito e também os potenciais impactos na flora e na fauna marinhas.

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Por ser resultante de um processo que separa o minério de ferro do solo, o rejeito não contém elementos tóxicos. Os aditivos usados no processo também não se constituem como contaminantes, pois são empregados de acordo com as normas ambientais brasileiras.

Após o rompimento de Fundão, o impacto maior à qualidade da água dos rios não foi provocado pelo rejeito em si, mas por substâncias que a onda de lama revolveu de leitos, margens e planícies de inundação.

Foram carregados e trazidos à tona resquícios de garimpos e de agrotóxicos, entre outros resíduos acumulados em séculos de exploração econômica. Somam-se a eles os efluentes industriais e o esgoto doméstico — principalmente no rio Doce, que atravessa áreas de grande concentração urbana e de intensa atividade industrial. Um importante ponto merece atenção: 80% do esgoto doméstico dos municípios atingidos pelo rompimento de Fundão é lançado diretamente nos rios sem tratamento.

O rejeito contém partículas de ferro, manganês e alumínio em proporção elevada, porque essa é uma característica natural do solo — e da água — da região de Mariana e do chamado Quadrilátero Ferrífero (que abrange ainda os municípios de Congonhas, João Monlevade, Itabira, Itaúna, Ouro Preto, Rio Piracicaba, Sabará e Santa Bárbara), no centro-sul do estado de Minas Gerais.

Quando a lama do rejeito atingiu os rios, a concentração de minerais na água ficou acima dos limites recomendados pelo Ministério da Saúde. Mas os parâmetros se normalizaram já no início de 2016, embora apresentem alguns picos. Vale ressaltar que quando a água dos rios afetados pelo rompimento de Fundão passa por estações de tratamento torna-se adequada para consumo humano.

A turbidez é outro ponto de preocupação. A água ainda tem alteração porque, embora o vazamento de Fundão tenha sido estancado, parte do rejeito permanece no fundo e nas margens dos cursos d’água. Quando a lama se movimenta, na época de chuvas, por exemplo, ou por ação do homem, a água fica ainda mais turva. Essas ocorrências tendem a diminuir com as obras de regularização e correção da inclinação das margens, revegetação, construção de drenos e outras técnicas de prevenção da erosão, em aplicação desde 2016.

Os resultados do monitoramento da qualidade da água realizado pela Fundação Renova no rio Gualaxo do Norte, curso d’água mais impactado pelos rejeitos, mostram que a turbidez está decaindo a cada ano, comparando-se com o fim de 2015, no mapeamento imediato pós-rompimento, quando a turbidez estava em seu auge. No último período seco, que vai de maio a setembro, os índices diários se mantiveram dentro dos limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) em 90% do tempo. Essa melhoria, fruto das ações da Fundação Renova, tem impacto positivo direto nas águas do rio Doce.

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A neutralização de impactos do rejeito sobre a qualidade da água deve acontecer com a execução do chamado Plano de Manejo de Rejeito. Ele estabelece um conjunto de ações — aprovadas pelos órgãos ambientais em junho de 2017 — que serão aplicadas a toda a extensão dos rios atingidos, de acordo com a situação de cada trecho. Entre as soluções previstas no Plano de Manejo, está a construção de estações de tratamento natural, com plantas aquáticas cujas raízes são capazes de absorver metais pesados.

Ações de manejo já aconteceram em áreas críticas dos rios até a Usina de Candonga:

  • 800 hectares de margens passaram por revegetação inicial;

  • 113 afluentes foram alvo de várias técnicas para remoção e estabilização do rejeito;

  • em 2.000 hectares, serão plantadas árvores nativas, ajudando a compor a chamada mata ciliar, que protege os cursos d’água.

Ao mesmo tempo, melhorias na captação e em estações de tratamento de água são alvos de investimentos, previstos no Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) — documento que define a abrangência e a forma das soluções para os problemas causados pelo rompimento de Fundão. O Termo também determina outra linha de investimentos, de R$ 500 milhões, destinada a estações de tratamento de esgotos e a aterros sanitários em 39 municípios atingidos.

Em outra frente, o rio Doce se tornou, desde meados de 2017, o rio mais monitorado do país graças ao Programa de Monitoramento Quali-Quantitativo Sistemático (PMQQS), com a instalação de um conjunto de 22 estações automáticas, associadas a 56 pontos de coleta manual de amostras no rio Doce e a outros 36 na região costeira.

Assim, o PMQQS consegue avaliar, continuamente, cerca de 80 indicadores (turbidez, vazão, presença de metais, contaminações por coliformes, pesticidas etc.). As informações vão para um banco de dados e são compartilhadas em tempo real com os órgãos ambientais (ANA, Igam, Agerh, Iema, Ibama, ICMBio, Seama).

Há ainda o empenho para recuperação de 5 mil nascentes na região atingida, que devem estar implantadas e em monitoramento até 2027. Para completar, 40 mil hectares degradados em Áreas de Proteção Permanente (APP) passarão por restauração florestal. As APPs são áreas previstas em lei com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo genético da fauna e da flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

Povoações atingidas

O rompimento da barragem de Fundão afetou boa parte da população que vive ou trabalha às margens dos cerca de 670 km de rios que a lama percorreu até o mar. Falta de água potável, perda de casas, de estabelecimentos comerciais, de criações e plantações, além de suspensão da pesca, estão entre os principais danos diretos.

Três povoados foram atingidos com grande impacto: dois distritos pertencentes a Mariana — Bento Rodrigues (onde houve mortes) e Paracatu de Baixo —, além de parte de Gesteira, distrito do município de Barra Longa. Casas, escolas, igrejas, prédios administrativos e comerciais, tudo que foi perdido nessas localidades será reconstruído em outras áreas.

Também o centro urbano de Barra Longa, localizado à margem do rio do Carmo, foi atingido pela lama. A limpeza da cidade e a reforma de casas, prédios e equipamentos públicos danificados exigiram uma operação de grande porte: mais de 170 mil de rejeito foram removidos.

Acompanhe o passo a passo dos reassentamentos: Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira

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Usina de Candonga

A Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga) teve um papel decisivo para evitar uma tragédia ainda mais devastadora pelo rompimento da barragem de Fundão. Seu reservatório conteve um grande volume da porção mais pesada do rejeito, o que ajudou a reduzir — em muito — a velocidade com que a lama em movimento seguiu pelo rio Doce. Calcula-se que cerca de 10,5 milhões de metros cúbicos de rejeito ficaram retidos no reservatório de Candonga.

As comportas da usina foram abertas para evitar o comprometimento de suas instalações. Da barragem da usina em diante, seguiu pelo rio Doce a parte mais fina da lama. Ela afetou a calha do rio e causou bem menos impactos a margens e planícies do que na parte anterior à Candonga.

As operações da hidrelétrica tiveram que ser paralisadas, mas o fornecimento de eletricidade à região não chegou a ser prejudicado. Isso porque Candonga está integrada ao SIN (Sistema Interligado Nacional), de geração e transmissão de energia elétrica. A energia produzida em outras regiões supriu as necessidades locais.

Dar à usina condições de retomar sua operação envolve soluções de engenharia inovadoras e inéditas que viabilizaram, até agora, a retirada de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de material que estava depositado em um trecho de 400 metros em Candonga. O bombeamento retira do reservatório o sedimento, formado por 80% de água e 20% de rejeito. Esse material é acomodado na Fazenda Floresta, localizada a 3 km da usina. Essa etapa deverá ser concluída em 2020.

A limpeza do reservatório de Candonga é uma operação complexa e demorada, iniciada em fevereiro de 2016. A dragagem começou pelo trecho crítico, a 400 metros da barragem. A obra envolveu também a construção de três barreiras metálicas dentro do reservatório, que ajudam a conter o grande volume de lama de rejeito. Elas estão localizadas a 400 m, 5 km e 6 km da barragem. Elas ficarão submersas após o enchimento do reservatório.

Contenção em Fundão

Após o rompimento da barragem, teve início quase imediato um trabalho intenso de prevenção de novos vazamentos — 12,9 milhões de metros cúbicos de lama restaram no interior do reservatório e outros 4,5 milhões se espalharam pela área da mineradora. As ações envolveram uma grande equipe de trabalhadores, em ação 24 horas por dia, ao longo de mais de seis meses.

A primeira medida foi revisar a segurança do reservatório de Germano, vizinho de Fundão e cinco vezes maior do que ele. Ali, três diques ganharam reforços (Sela, Selinha e Tulipa). Ao mesmo tempo, dois diques emergenciais (chamados S1 e S2) foram construídos logo abaixo de Fundão, pouco antes do reservatório de Santarém.

Anteriormente, Santarém era uma barragem aonde ocorria a recirculação e clarificação da água utilizada no processo de mineração, de maneira que pudesse ser lançada já tratada no córrego Santarém. A onda de lama tomou conta de seu reservatório e suas estruturas precisaram ser reforçadas e ampliadas, inclusive, para conter possíveis deslizamentos do que restou em Fundão. Após a reforma, ganhou o nome de Nova Santarém. O novo reservatório cobriu os diques S1 e S2.

Abaixo de Nova Santarém, foram construídos os diques de contenção e filtragem S3 e S4. O primeiro, no limite da propriedade da mineradora; o segundo, onde o córrego Santarém encontra o rio Gualaxo do Norte.

Na área onde está localizada a barragem de Fundão foi construída uma barragem de 40 metros de altura, chamada de Eixo 1, para conter parte do restante do rejeito que permanece no reservatório. A construção aplicou uma metodologia que visa dar mais resistência à estrutura. A conclusão da obra encerra as ações prioritárias executadas desde o rompimento de Fundão, em novembro de 2015, destinadas a garantir a estabilidade das estruturas de contenção do rejeito. 

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Recuperação de áreas degradadas

O processo de recuperação das áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão envolveu, em um primeiro momento, a limpeza das calhas e estabilização das margens dos rios Gualaxo do Norte e do Carmo, entre Mariana e Santa Cruz do Escalvado (MG). Nesse trecho, a lama formou pilhas em locais mais estreitos, comprometendo a vegetação e os cursos d’água. Para combater a erosão e evitar que a lama acumulada na parte externa dos rios caísse nas calhas, foram plantados, em caráter emergencial, 800 hectares de espécies nativas de rápido crescimento.

Paralelamente, ações de controle de erosão e reconformação de margens foram realizadas em uma área de aproximadamente 1.522 hectares, por meio de obras de bioengenharia. Retentores de sedimentos, biomantas, feixes de bambu, enfileiramento de pedras estão entre os recursos utilizados de acordo com as características de cada local. Nas chamadas planícies de inundação (vizinhança da margem até o ponto mais distante alcançado pelos rios nas cheias), foram refeitos os caminhos de drenagem e a vegetação vem sendo restabelecida. Essa é uma etapa preparatória para a recomposição da mata ciliar — que protege a integridade dos rios — com o plantio de espécies de árvores nativas.

A qualidade do solo está intimamente ligada aos cursos d’água que cortam os terrenos. Nesse sentido, foram também recuperados 113 afluentes, pequenos rios que alimentam o alto do rio Doce. Essa parte da renaturalização dos cursos d’água foi uma das mais importantes e está bastante avançada. Esses afluentes praticamente desapareceram da paisagem e, por isso, tiveram que ser totalmente redesenhados com base em informações de geoprocessamento.

Em uma perspectiva mais ampla, juntam-se a esses objetivos a recuperação de nascentes e a perspectiva de promover uma gestão integrada de todo o território atingido.

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As medidas de recuperação de margens e planícies no trecho mais impactado pelo rompimento de Fundão (nos 113 km iniciais, entre Fundão e a usina de Candonga) tinham como objetivo evitar a erosão do rejeito para a calha dos rios.

Por exemplo: o entorno do córrego Santarém, do rio Gualaxo do Norte e trechos dos afluentes de ambos ficaram encobertos pela lama, que desfigurou seus traçados originais.

Logo após o rompimento da barragem, teve início a semeadura de espécies de gramíneas e leguminosas, que são plantas de crescimento rápido. Elas criaram uma espécie de malha de raízes, capaz de reduzir o deslizamento de rejeito para a água. Em oito meses, foram cobertos de sementes mais de 800 hectares de áreas impactadas pela deposição de rejeito.

Paralelamente, começou a reconformação (regularização e correção da inclinação) nas margens dos rios principais e de 101 afluentes. Esse trabalho consiste em refazer, literalmente, a beira do curso d’água. Outras técnicas da chamada bioengenharia foram agregadas ao esforço de evitar a movimentação do rejeito. Retentores de sedimentos, biomantas, feixes de bambu, enfileiramento de pedras estão entre os recursos utilizados de acordo com as características de cada local.

Nas chamadas planícies de inundação (vizinhança da margem até o ponto mais distante alcançado pelo rio nas cheias), foram refeitos os caminhos de drenagem e a vegetação vem sendo restabelecida. Essa é uma etapa preparatória para a recomposição da mata ciliar — que protege a integridade dos rios como os cílios protegem os olhos — com o plantio de espécies de árvores nativas.

O que é o Plano de Manejo de Rejeito

Enquanto aconteciam ações emergenciais de recuperação de margens e entorno de córregos e rios, vários estudos foram conduzidos, com levantamentos geomorfológicos, hidrodinâmicos e hidrossedimentológicos. Os principais resultados estão compilados no documento “Avaliação de Impactos no Meio Físico Resultantes do rompimento da Barragem de Fundão“.

Esses trabalhos forneceram uma primeira informação técnica e contundente sobre os impactos. Entre julho de 2016 e janeiro de 2017, foram analisadas soluções de manejo ainda sem o envolvimento de órgãos ambientais.

Entre janeiro e março de 2017, mais de 80 especialistas, entre técnicos, acadêmicos e representantes de órgãos ambientais e do poder público, avaliaram as opções para lidar com o rejeito espalhado. Eles participaram de três workshops, dos quais saíram duas premissas básicas. Uma é que não há soluções únicas, dada a extensão e a diversidade geográfica do impacto. A outra diz respeito à existência de situações em que a remoção gera riscos e danos maiores do que a estabilização ou tratamento local do rejeito.

A partir daí, foi elaborado o Plano de Manejo de Rejeito. Aprovado em junho de 2017 pela Câmara Técnica de Gestão de Rejeitos e Segurança Ambiental, propôs dividir a região atingida, que abrange 670 km, em 17 trechos. Cada um deles é avaliado de acordo com indicadores específicos.

 

Fazer o manejo do rejeito não significa, necessariamente, retirar o material de onde ele está armazenado. A decisão final tem como princípio as soluções com menor impacto ao meio ambiente e entorno, inclusive às comunidades. Até o momento, foram definidas as ações para os trechos que correspondem ao traçado de Mariana até a divisa de Barra Longa. No rio Gualaxo do Norte, na altura do distrito de Camargos, em Mariana, está em andamento o reflorestamento com plantio de 41 mil mudas de 30 espécies nativas introduzidas em uma área de 41,5 hectares.

Atendendo ao pedido da comunidade de Camargos, a Fundação Renova vai recuperar a cachoeira da localidade, permitindo sua utilização para lazer. O projeto envolve a remoção do rejeito do poço principal da cachoeira e recuperação ambiental das margens.

Ainda no trecho do rio Gualaxo do Norte, entre os córregos Camargo e Santarém, foi iniciado, em julho de 2018, o processo de renaturalização. Está prevista a colocação de troncos no leito do rio para diminuir a força da correnteza e, assim, favorecer a formação de nascedouros de peixes. A proposta é reproduzir o que já acontece na natureza, auxiliando na aceleração de processos regenerativos no curso d’água. 

Confira as técnicas usadas, individualmente ou combinadas, em margens e planícies:

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