Fundação Renova

Perguntas Frequentes

Está buscando informações sobre as ações geridas pela Fundação Renova nos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão? Veja a lista de perguntas frequentes e, caso deseje, entre contato com a nossa equipe pelo Fale Conosco.

Água

Fundão armazenava um rejeito que não era tóxico, uma vez que continha essencialmente elementos do solo (rico em ferro, manganês e alumínio), sílica (areia) e água. Porém, altos níveis de metais foram encontrados na água do rio Doce em medições feitas logo após o rompimento da barragem de Fundão. Muitas dessas alterações estavam relacionadas a substâncias acumuladas ao longo dos rios por onde a onda de lama passou — ela arrastou resíduos das margens e revolveu o fundo dos rios.

Chumbo e cromo, por exemplo, são subprodutos típicos de processos industriais, como a siderurgia, comum na região. Já o mercúrio é muito usado em garimpos artesanais e ilegais, enquanto o cádmio é presença constante em resíduos das indústrias e dos fertilizantes agrícolas. O arsênio identificado em amostras, em especial na zona costeira, está ligado às rochas da região litorânea do Espírito Santo.

Atualmente, a contaminação que mais compromete a qualidade da água da bacia do rio Doce não vem do rejeito, não se deve aos metais do solo nem aos efluentes industriais ou resíduos de produtos químicos usados na agricultura. Ela é provocada pelo despejo de esgoto doméstico diretamente nos rios.

Desde o início de suas atividades, a Fundação monitora as substâncias do rejeito nos rios, no solo, no ar e na biodiversidade e entende que é seu compromisso aprofundar o assunto por meio de novos estudos. Por isso, está financiando uma pesquisa de Avaliação de Risco à Saúde Humana, que irá auxiliar a responder a essas questões.

A pesquisa contempla reconhecimento e avaliação local, respostas às preocupações da comunidade, identificação de elemento contaminantes de interesse, as rotas de exposição e, por fim, são estabelecidas as conclusões e recomendações que vão orientar protocolos de atenção à saúde e demais pesquisas epidemiológicas e toxicológicas.

O estudo teve início nos municípios de Mariana, Barra Longa (MG) e Linhares (ES). Após a finalização nessas áreas, o estudo será desenvolvido em Rio Casca, Ipaba e São José do Goiabal e, na última etapa, em Governador Valadares, Conselheiro Pena e Aimorés. A amostragem nesses territórios definirá os elementos de risco, rotas e populações expostas ao longo da calha do Rio Doce.

A Fundação Renova trabalhou para reduzir o risco de desabastecimento em 24 municípios que captavam água do rio Doce. Uma das soluções encontradas pela Fundação foi recorrer a mananciais alternativos, com adução e tratamento da água. A captação alternativa de água reduz o risco de desabastecimento, na medida em que busca outras fontes do recurso hídrico, reduzindo a dependência do rio Doce. A meta estabelecida pelos órgãos ambientais e de gestão hídrica é habilitar 30% de fontes alternativas para municípios de até cem mil habitantes e 50% para as cidades maiores.

Em 2017, concluímos o Estudo de Capacidade de Mananciais Superficiais e Subterrâneos — também chamado de Estudo de Segurança Hídrica. Esse estudo orienta a escolha dos mananciais onde serão construídos os sistemas de captações alternativas. Até agosto de 2018, foram entregues 10 sistemas de captação alternativa, entre poços perfurados ou recuperados, e captações em corpos hídricos superficiais.

 

Como medida compensatória, a Fundação Renova criou um fundo de R$ 500 milhões para financiar projetos de melhoria na coleta e tratamento de esgoto e disposição adequada de resíduos sólidos dos municípios impactados. É uma medida fundamental para a revitalização da bacia do Rio Doce, que tem bactérias e coliformes fecais como principais poluentes: 80% do esgoto doméstico da área atingida segue para os cursos d’água sem tratamento. A diminuição do descarte ilegal de esgoto contribui para uma melhor oxigenação da água e menos contaminação, devolvendo a saúde do rio e, como consequência, de todo o ecossistema à sua volta.

Além disso, os municípios receberão capacitação e apoio técnico para assegurar a consistência dos projetos de saneamento e sua adequada implementação. Até o final de 2018, foram realizadas oficinas sobre licenciamento ambiental, outorga para empreendimentos, elaboração de termos de referência e projetos para implantação de sistemas de esgotamento e aterro sanitário.

Desde 1997, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) monitora a qualidade da água do rio Doce e, por isso, é possível comparar com consistência os resultados de antes do rompimento da barragem com os resultados atuais. Hoje, com a implantação do o Programa de Monitoramento Quali-Quantitativo Sistemático da Água e Sedimentos (PMQQS), o rio Doce é o mais monitorado do país. Conduzido pela Renova, sob orientação e supervisão da Câmara Técnica de Segurança Hídrica e Qualidade da Água, o programa atua em 92 pontos de monitoramento, distribuídos pelo rio Doce e seus afluentes Gualaxo do Norte e Carmo, que também sofreram impacto direto do rejeito da barragem de Fundão.

São avaliados cerca de 80 indicadores, como turbidez, vazão, presença de metais, contaminações por bactérias, pesticidas etc. As informações ficam em um banco de dados, acessado por órgãos públicos que regulam e fiscalizam as águas do Brasil e são publicadas neste site — semanalmente durante o período chuvoso, que vai de novembro a março, e mensalmente durante o resto do ano.

Assim como acontecia antes do rompimento da barragem de Fundão, a água dos rios atingidos pode ser bebida com segurança, desde que seja tratada. Isso significa que ela precisa passar por procedimentos antes de chegar às torneiras do consumidor. Geralmente, isso ocorre em uma Estação de Tratamento de Água (ETA).

Na ETA, as impurezas são sedimentadas em tanques (o que torna a água mais clara). Na sequência, ocorre a eliminação de microrganismos causadores de doenças e a normalização de algumas características químicas da água. O objetivo é retirar toda e qualquer contaminação que possa causar problemas à saúde. Na verdade, nenhuma água — de rios, poços ou lagoas — pode ser distribuída para consumo humano sem passar por tratamento.

Para garantir que a água que abastece as cidades atingidas é boa para consumo, a Fundação Renova executou melhorias em estações de tratamento de água (ETAs) ao longo do trecho impactado e profissionais foram treinados para trabalhar com os novos equipamentos.

Não. O Ministério da Saúde recomenda que toda água — seja de rio, poço, lago ou represa — passe por tratamento antes de ser consumida. É que a contaminação pode acontecer já na origem da água. Por exemplo, a água de um poço pode vir de um lençol freático (reservatórios naturais subterrâneos) que contenha muitos metais pela própria característica do solo. O solo da região é rico em ferro e manganês, por exemplo.

A água dos poços também pode ser contaminada por substâncias de um lixão distante ou pela existência de uma fossa próxima. Daí a importância de os municípios terem aterros sanitários apropriados para despejar o lixo e sistemas de coleta e tratamento de esgotos sanitários, de maneira a dar a destinação adequada aos efluentes domésticos. Por isso, diz-se que esses sistemas ajudam a proteger a água.