Fundação Renova

Perguntas Frequentes

Está buscando informações sobre as ações geridas pela Fundação Renova nos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão? Veja a lista de perguntas frequentes e, caso deseje, entre contato com a nossa equipe pelo Fale Conosco.

Manejo de Rejeitos

O rejeito é uma lama que sobra da lavagem do solo durante a extração do minério de ferro. Ele não é tóxico, porque tem em sua composição o que existe no próprio solo, além de água e de alguns aditivos, semelhantes aos usados em produtos de limpeza doméstica, acrescentados de acordo com padrões da legislação brasileira.

Em Minas Gerais, não há apenas rochas sólidas de minério de ferro. Em alguns pontos, como na região de Mariana, o ferro aparece em partículas. Extraí-lo depende de triturar, lavar e peneirar, repetidamente, pedaços de solo. Com a adição de água, a terra desmancha e vira lama, e o minério se separa.

A lama que escorre dessa lavagem é o rejeito, acumulado em grandes reservatórios, como o de Fundão. A água da lama passa por filtração e pode ser reaproveitada no processo de mineração. O rejeito fica contido por uma barragem.

Por conta das características do solo de Mariana, o rejeito de Fundão continha sílica (material que forma a areia e as pedras de quartzo, por exemplo) e componentes naturais da região do chamado Quadrilátero Ferrífero, como ferro, manganês e alumínio.

Há laudos anteriores ao rompimento da barragem de Fundão que mostram a inexistência de componentes tóxicos em amostras tiradas de seu reservatório. Eles são assinados pelo laboratório Bioagri, do grupo Merieux NutriSciences e pela ABCP-Associação Brasileira de Cimento Portland, cujos laboratórios prestam serviços a terceiros (além dos próprios associados) e são certificados pelo Inmetro. O sedimento ainda foi caracterizado pela Norma Brasileira de Classificação de Resíduos Sólidos (NBR) como não perigoso em todas as amostras.

Não existe uma definição oficial do que seja metal pesado. Há quem defenda que todos os metais deveriam ser entendidos assim. Dependendo do critério, até mesmo sódio e potássio, que sequer imaginamos como metais.

Nas classificações mais comuns, ganham a denominação de metal pesado: arsênio, cádmio, cromo, cobre, chumbo, mercúrio, níquel, estanho, cobalto, cobre, manganês, vanádio, estrôncio e zinco.

Para complicar, nem todo metal pesado é tóxico e há aqueles essenciais à saúde. Cobalto, vanádio e ferro são importantes na constituição do sangue. Já cobre, níquel e zinco auxiliam no bom funcionamento das enzimas. O manganês está envolvido na reprodução e na formação de ossos e de outros tecidos.

Comum a todos esses — e a outros metais pesados com algum papel na nutrição — é o fato de que o corpo humano não os produz e, portanto, precisam ser ingeridos por meio de alimentos ou pela água (vanádio, zinco e estrôncio, entre outros, são encontrados em águas minerais naturais). Em doses maiores do que as necessárias, eles podem se tornar tóxicos.

Chumbo e mercúrio não têm função nutricional e preocupam as autoridades de saúde pública porque são frequentes como subprodutos de processos industriais ou de garimpos, muitas vezes, descartados sem tratamento sobre o solo ou nos rios.

No rejeito que vazou do reservatório de Fundão, estão presentes ferro, manganês e alumínio porque eles ocorrem naturalmente no solo — e, por consequência, na água — de toda a região do Quadrilátero Ferrífero (que compreende os municípios mineiros Congonhas, João Monlevade, Itabira, Itaúna, Mariana, Ouro Preto, Rio Piracicaba, Sabará e Santa Bárbara). No rio Doce, perto do litoral, o arsênio é comum porque faz parte da composição das rochas da região.

Uma grande proporção da lama de rejeito é constituída por areia e pó de pedra. Esse não é um substrato dos mais férteis, mas pode se incorporar ao solo ou ser removido. Técnicas de enriquecimento podem deixar o solo afetado tão fértil quanto antes do rompimento da barragem — ou ainda mais produtivo.

O rejeito de Fundão não era tóxico, embora contivesse ferro, manganês e alumínio. Porém, ainda é preciso determinar possíveis contaminações trazidas pela onda de lama ao revolver os rios e arrastar materiais de suas margens — restos de garimpos, resíduos de agrotóxicos, materiais orgânicos, lixo, efluentes industriais e esgoto sem tratamento. Saber como e o quanto o rompimento da barragem pode ter afetado a química do solo, dos rios e da região marinha depende de estudos meticulosos, conduzidos de Mariana até o litoral do Espírito Santo.

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Toda poeira representa um fator de agressão às vias respiratórias, capaz de desencadear reações alérgicas ou aumentar a predisposição a doenças respiratórias ocasionais. E toda lama, depois de seca, levanta poeira ao ser manipulada — por exemplo, quando é removida de propriedades impactadas. Agentes naturais e condições climáticas, como o vento e a baixa umidade do ar (típica das estações secas), são outros fatores com potencial de agressão.

Um dos estudos desenvolvidos pela Fundação Renova é o Monitoramento da Qualidade do Ar em Barra Longa, que envolve a coleta das emissões em estações, com contagem e análise físico-química das partículas encontradas. A medição começou em 2016 para comprovar se a nuvem de poeira que se formou depois que o rejeito invadiu o município poderia ser prejudicial. Os resultados prévios, divulgados em novembro de 2018, são compatíveis com as emissões registradas em qualquer estrada de terra, porque as partículas não são de rejeito, mas de poeira convencional, e seu formato não causaria danos pulmonares, problemas de toxicidade ou contaminação.

A partir de janeiro de 2019, um segundo estudo de qualidade do ar, o chamado monitoramento móvel, será realizado para responder de vez a essa questão. Nele, o foco será acompanhar, de maneira muito mais refinada, as partículas emitidas que entram nos imóveis.

Os Centros de Informação e Atendimento são postos de atendimento onde é possível obter informações atualizadas sobre os mais de 40 programas de reparação e compensação de danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

Atualmente, existem cerca de 20 unidades em Minas Gerais e no Espírito Santo. Pelo número 0800 031 2303, atendentes prestam informações e esclarecimentos. A ligação é gratuita. Também é possível obter informações no canal Fale Conosco, no site da Fundação Renova.