Fundação Renova

Workshop de Restauração Florestal no Vale do Rio Doce chega ao fim

Publicado em: 04/05/2017

Reflorestamento

Participantes compartilharam experiências bem-sucedidas que servirão de base para o Plano de Ações da Fundação Renova

No final da tarde de hoje, 4 de maio, chegou ao fim o segundo dia do Workshop de Restauração Florestal no Valo do Rio Doce, promovido pela Fundação Renova. Especialistas, pesquisadores, representantes de órgãos ambientais e da sociedade civil passaram dois dias discutindo possibilidades de ações para a região do Rio Doce.

A proposta do encontro foi coletar subsídios para a construção de um Plano de Ações, que contemple alternativas sociais, econômicas e ambientais baseadas em experiências reais de sucesso. Marcelo Figueiredo, diretor de programas da Fundação Renova, abriu os trabalhos do segundo dia ressaltando a importância da troca de conhecimentos que o evento proporciona.

“Eu vejo esse evento como um marco na história do nosso país. Hoje nós estamos aqui diante de uma grande oportunidade factual, de um problema real, e não estamos aqui para fazer apenas um debate acadêmico, mas para tomar decisões”, afirma Marcelo.

PALESTRAS

Assim como no primeiro dia do encontro, a programação foi intercalada por palestras e discussões em grupos. No período da manhã, quatro palestrantes fizeram relatos de experiências em restauração florestal:

  • Marília Borgo, da The Nature Conservancy Brasil, falou sobre a importância da integração das agendas de restauração florestal e de carbono;
  • Paulo Henrique Pereira, Secretário de Meio Ambiente de Extrema (MG), apresentou a experiência bem-sucedida do Projeto Conservador das Águas;
  • Andrew Micollis, coordenador nacional do Centro Internacional em pesquisa em Agrofloresta (Icraf), abordou as possibilidades de uso do Sistema Agroflorestal (SAF) na recuperação de áreas degradas, assim como as oportunidades e os desafios de implantação dos SAFs na Bacia do Rio Doce; e
  • Nelton Frederich, coordenador do programa Cultivando Água Boa, apresentou as ações do programa, que faz parte do planejamento estratégico da Itaipu Binacional e tem como um dos objetivos a proteção dos recursos da Bacia Hidrográfica do Paraná 3.
As discussões do Workshop foram representadas graficamente pela equipe da Ideia Clara.

As discussões do Workshop foram representadas graficamente pela equipe da Ideia Clara. | Foto: João Bosco

Na parte da tarde, os palestrantes reforçaram a importância de se pensar modelos e possibilidades de incentivo aos produtores rurais, uma vez que grande parte das áreas que precisam ser restauradas estão em propriedades privadas. De acordo com Marcos Sossai, gerente do programa Reflorestar da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (SEAMA), é preciso pensar em práticas de restauração que conciliem geração de renda, aumento de produtividade e proteção de recursos naturais.

  • Marcos Sossai, gerente do programa Reflorestar, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (SEAMA), relatou a experiência com o programa.
  • Britaldo Soares, do Centro de Sensoriamento Remoto (UFMG), reforçou a importância de buscar a conciliação entre desenvolvimento e conservação ambiental.
  • Felipe Nunes, coordenador do Plano de Energia e Mudanças Climáticas de Minas Gerais, apresentou um estudo sobre restauração florestal em larga escala no estado.
  • Camila Mendes, da Fundação Biodiversitas, chamou a atenção para a possibilidade de considerar as espécies de fauna e flora para direcionar a conexão de paisagens.

GRUPOS DE TRABALHO

Ao todo, foram dois momentos dedicados aos trabalhos em grupos, um na parte da manhã e outro na parte da tarde desta quinta-feira. A dinâmica de funcionamento foi a mesma nas duas ocasiões. O relator do grupo retomou o que já foi discutido anteriormente para novas contribuições. Após essa retomada, os participantes classificaram e priorizaram de 3 a 5 diretrizes, que irão orientar o Plano de Ações de restauração florestal. Por último, foram feitas recomendações de ações para o alcance das diretrizes e mitigação de riscos.

Os Grupos de Trabalho foram divididos em quatro eixos temáticos, com a presença de um facilitador técnico, especialista em restauração florestal, e um facilitador metodológico da Fundação Dom Cabral (FDC).

  • Eixo 1 – Gestão e planejamento da paisagem: como planejar e gerir a paisagem para que, ao final, se tenha 40 mil hectares de floresta restaurados e 5 mil nascentes protegidas?
  • Eixo 2 – Oportunidades socioeconômicas: quais são as oportunidades socioeconômicas associadas à restauração florestal?
  • Eixo 3 – Restauração de baixo custo: o que levar em conta na hora de definir as metodologias de restauração ambiental (barreiras e potencialidades)?
  • Eixo 4 – Governança de paisagens: qual o melhor modelo de governança para organizar os esforços de restauração?

Ao final dos Grupos de Trabalho, Rachel Biderman, da World Resources Institute (WRI Brasil), fez um balanço do que foi discutido durante as palestras, a partir dos painéis de facilitação gráfica, produzidos pela equipe da Ideia Clara. Os painéis representaram imageticamente o que foi apresentado pelos palestrantes ao longo dos dois dias de evento. Além disso, o relator de cada Grupo de Trabalho destacou os principais resultados das discussões coletivas.

Roberto Waack, diretor-presidente da Fundação Renova, encerrou o evento com encaminhamentos para o futuro. “A gente não está encerrando, está começando um novo caminho de realização conjunta. O sonho da Fundação é fazer dessa situação um movimento de transformação”, afirma.

O encontro foi transmitido, em tempo real, pelo canal da Fundação Renova no YouTube e também pelo site. Assista ao evento na íntegra:

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