Fundação Renova

Maquete tátil permite que atingido com deficiência visual conheça projeto de sua casa

Publicado em: 25/05/2020

Reassentamentos

Moradia estará no reassentamento de Paracatu de Baixo, e processo busca garantir a acessibilidade dos moradores

Com o toque dos dedos, Antônio Marcelino, de 74 anos, conheceu o projeto da casa onde irá morar com a sua família, no reassentamento coletivo de Paracatu de Baixo. Seu Marcelino possui deficiência visual, e foi construída uma maquete tátil para que ele pudesse entender todos os detalhes da sua nova casa.

A maquete foi criada pela arquiteta Marina Retes, da empresa Tractebel, contratada pela Fundação Renova. Ela é uma réplica em miniatura da planta da casa, com aproximadamente 1 metro quadrado, feita de madeira. Em alto relevo, é possível conhecer a disposição dos cômodos, espaços e móveis.

Marcelino estava acompanhado de seu filho, Antônio Lívio, quando conheceu a planta de sua casa por meio da maquete tátil. “Esse é o meu quarto, meu filho? É perto da sala, né? Da sala, eu saio para a cozinha… vai ser a mesma coisa”, disse, enquanto percorria a réplica da planta.

Para Antônio Lívio, a maquete tátil foi importante para incluir seu pai no processo de construção e entendimento do projeto. “Meu pai gostou. Ficou toda hora colocando a mão, perguntando onde eram os cômodos. Eu acho que ele ficou feliz”, diz o filho. O pai já planeja a nova casa: “Por toda a vida eu tive muita fé em santo Antônio, vou levar o retrato dele para a casa nova, colocar lá no meu quarto. Quero levar as coisas boas para a casa nova para conservar”.

A arquiteta responsável pelo projeto conta que teve contato com a técnica de elaboração da maquete tátil a partir de trabalhos desenvolvidos no laboratório especializado em investigações científicas sobre acessibilidade ambiental, o Adaptse, da Escola de Arquitetura da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “Começamos a desenvolver esse trabalho pensando em como a arquitetura poderia melhorar a vida das pessoas. Trabalhamos para que elas entendam como serão as futuras casas”, explica Marina.

As casas do reassentamento de Paracatu de Baixo estão sendo projetadas para cada família pelos arquitetos contratados pela Fundação Renova, com base nos desejos e memórias desses núcleos. “Garantir o protagonismo das famílias na elaboração do projeto significa muito para todos nós, pois sabemos que, ao receber sua casa, os atingidos de fato se sentirão pertencente a ela. É gratificante vermos resultados como esse e a satisfação da família”, afirma Ana Carolina Nunes, coordenadora de Diálogo em Mariana, Fundação Renova.

Segundo Thaíres Ferreira, analista de Diálogo da H&P, empresa contratada pela Fundação Renova, a equipe social tem o papel de garantir que as famílias participem ativamente, considerando os modos de vida e necessidades de cada núcleo. “As famílias também contribuem com as lembranças do espaço. Pois, mais do que saber como era a disposição da casa, é preciso entender a significação do espaço para elas. Na casa do Marcelino, por exemplo, os quartos, para ele, são referenciados pelos filhos. Não é o quarto ao lado do banheiro, é o quarto que ele fica para escutar o jogo da sala”, conta.

A Fundação Renova trabalha para que as famílias tenham novas casas e que essas moradias possam preservar os hábitos e as relações de vizinhança, recuperando o convívio em comunidade.

Acessibilidade

Cada futuro morador do reassentamento coletivo é atendido por um arquiteto contratado pela Fundação Renova. O profissional realiza visitas às famílias para entender como era a casa e como eles imaginam a nova moradia. A partir dos encontros, um projeto é desenvolvido em conjunto com a família. O projeto pode ser modificado quantas vezes forem necessárias até atingir um resultado satisfatório pelos moradores. Após aprovação pela família, o projeto é considerado pronto para ser licenciado junto à Prefeitura de Mariana. 

O projeto original do imóvel de Antônio Marcelino foi mantido a pedido da família. A mobilidade do morador, que já estava acostumado ao antigo espaço, foi determinante, e apenas algumas adaptações foram pensadas para a segurança e bem-estar do atingido, como um corrimão em volta da casa para que ele possa caminhar com segurança. “O espaço não terá nenhum degrau, o acesso será por meio de uma rampa e a casa será virada para a rua, o que favorece a comunicação com a vizinhança”, diz a arquiteta.

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