Fundação Renova

Hora de avançar – Carta aberta à população de Mariana

Publicado em: 16/07/2019

Mariana

Mariana, primeira cidade de Minas Gerais, é símbolo e berço da mineiridade. É guardiã da nossa história e das nossas melhores tradições. A alma de todo mineiro tem um pouco de Mariana.

Assim, a tragédia de Fundão, em 2015, não abalou apenas o município. A dor e o luto dos marianenses foi a dor e o luto de Minas Gerais. Reparar o que foi perdido, em tudo que for possível, tornou-se uma missão de todos os mineiros.Lamentavelmente, há perdas que jamais serão substituídas.

A Fundação Renova nasceu em 2016 com esse objetivo: coordenar e executar ações reparatórias e compensatórias em toda a área atingida por Fundão.

Fruto de um amplo acordo firmado por dezenas de entidades, entre governos Federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo, órgãos municipais, Comitê de Bacias e empresas privadas, as ações da Fundação Renova estão lastreadas no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) que a criou.

Desde então, contando com a participação e apoio contínuo da Prefeitura de Mariana, a Fundação Renova executou – e vem executando – obras e iniciativas em áreas como reassentamento, contenção e manejo de rejeitos, recuperação de infraestrutura e ambiental,apoio psicopedagógico e psicossocial, além de programas de assistência técnica a produtores rurais e capacitação de mão de obra e fornecedores locais. As ações em reassentamento, por exemplo, estão abrindo aproximadamente 4,5 mil postos de trabalho direcionados prioritariamente à população de Mariana.

Esse conjunto de ações mobilizou, até o momento, recursos da ordem de R$ 1,9 bilhão.

Temos consciência de que nem tudo funcionou como gostaríamos ou como seria o ideal para a comunidade. Mas, estamos aprendendo e trabalhando incansavelmente para aperfeiçoar nossa atuação.

Foi exatamente esse aprendizado que nos mostrou que, agora, é hora de dar um novo passo.

Um passo que vai colocar as iniciativas da Fundação Renova um degrau acima das ações específicas de reparação, trazendo benefícios visíveis para a sociedade marianense.

Trata-se de um novo momento, com o objetivo claro de preparar Mariana para o futuro.

E o que isso significa?

Significa ser, num esforço coordenado com a sociedade marianense e suas lideranças, parte ativa de uma engrenagem que tem, como meta, a construção de ações e soluções que deem ao município as condições necessárias para consolidar uma economia sustentável, diversificada e inclusiva, com impacto positivo na qualidade de vida da população.

Significa trabalhar para deixar, como legado, uma Mariana capaz de construir uma rota segura para o desenvolvimento.

Evidentemente, preparar um município para o futuro não é tarefa fácil.

Exige um olhar especial e atento para as diversas camadas sociais da população e suas demandas. Exige ampliar o diálogo e a parceria com todos os setores da sociedade.Exige conhecer as vocações naturais do município e o que se pode inovar buscando novas vocações. Exige estar atento ao mundo e ao que os novos tempos estão trazendo, e como tudo isso pode gerar novas oportunidades.Nosso legado, portanto, será construído por dezenas de mãos para beneficiar milhares de pessoas.

O desafio, agora, é transformaras ações do TTAC em frentes indutoras de desenvolvimento econômico e social, que passam por iniciativas de curto, médio e longo prazos, tanto no vetor de fortalecimento de infraestrutura quanto no de incentivo à educação e ao empreendedorismo.

Nesse contexto, é necessário enxergar, ao mesmo tempo, a chamada economia criativa, que abrange setores como turismo, gastronomia e soluções inovadoras, e a economia já estabelecida, fortemente representada em Mariana pela mineração e serviços.

É necessário trabalhar no fomento às cadeias produtivas de setores-chaves, como turismo de negócios, histórico, cultural e religioso, agronegócio (com destaque para agricultura familiar), indústria e mineração. Capacitar cada vez mais pessoas e empresas para que se encaixem nessas cadeias produtivas e tornem-se, elas mesmas, molas propulsoras de novas cadeias.

É preciso diversificar a economia, evitando-se, assim, a perigosa dependência de um único setor.

Diversificar a economia, aliás, é um dos principais desafios para assegurar o desenvolvimento de Mariana no presente e no futuro, e é sob essa ótica que boa parte das iniciativas acima citadas se encaixam.

Essa é nossa meta para Mariana, traduzindo o profundo respeito que temos pelo município e sua população.

O diálogo que temos mantido com a Prefeitura de Mariana e diversos entes representativos da sociedade nos permitiu definir um primeiro conjunto de ações de curto e médio prazos, com impacto positivo e perceptível para a população, pensado dentro da ótica de um futuro sustentável.

Essas ações, previstas e em fase de ajustes finais junto ao Comitê Interfederativo (CIF) e às demais instâncias do sistema de governança, somam um valor estimado de R$ 100 milhões.

São elas:

  • Revitalização da Praça Gomes Freire, também conhecida como a Praça do Jardim, referência no setor de serviços e ponto de encontro e congraçamento dos marianenses e de quem circula pela cidade;
  • Aportes para incentivar o turismo, uma das principais cadeias produtivas locais, com enorme potencial para geração de renda;
  • Reativação e fortalecimento da cooperativa de laticínios, uma antiga aspiração da cidade. A cooperativa será importante para reestabelecer a cadeia produtiva do leite, beneficiando pequenos produtores rurais. A previsão é que as obras comecem em outubro/19;
  • Implementação da Casa do Empreendedor para criar um espaço que desenvolva a cultura do empreendedorismo na cidade, abrindo uma infinidade de novas oportunidades;
  • Aquisição da infraestrutura necessária e assessoria técnica para elaborar o Georreferenciamento e o Plano Diretor de Mariana, que também se insere em um projeto mais amplo de crescimento ordenado e sustentável para a cidade;
  • Construção do Aterro Sanitário de Mariana, cujas obras já estão em andamento, com previsão de entrega em 18 meses. Junto com a construção do aterro vem a criação de um fundo para que a Prefeitura possa fazer o gerenciamento necessário das operações durante cinco anos;
  • Reforma e ampliação do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij), para que crianças e jovens de Mariana tenham a estrutura necessária para superar desafios presentes e se preparar para o futuro. A previsão é que seja entregue no primeiro semestre de 2020.

Além dessas ações, também já avançamos em outros dois pontos: iniciamos os estudos para viabilizar o Distrito Industrial de Mariana – peça importante na pauta da diversificação econômica – e demos os primeiros passos para concretização do loteamento Cristo Rei, que permitirá à prefeitura ampliar novos programas de moradia popular.

É importante ressaltar que todas essas iniciativas serão tomadas sem qualquer prejuízo para as ações já em andamento, como o reassentamento e as demais obras de infraestrutura, que somam um valor adicional de R$ 600 milhões.

Por fim, queremos lembrar que ninguém constrói, sozinho, o futuro de uma cidade.

Queremos fazer parte dessa construção ao lado dos atingidos, do Poder Público e da sociedade civil em geral.

Afinal, para ser duradouro, esse legado precisa ser coletivo. E, para ser coletivo, é necessário que seja compreendido e abraçado por todos. O futuro é melhor quando se caminha na mesma direção.

 

Fundação Renova

Julho de 2019  

 

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