Fundação Renova

Estudo cria um dos maiores programas de reflorestamento de bacia hidrográfica do mundo

Publicado em: 04/06/2019

Recuperação Florestal

Plano desenvolvido pela UFMG e UFV define áreas prioritárias para restauração ambiental do rio Doce

Como forma de mitigar os impactos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, a Fundação Renova assumiu o compromisso de fornecer R$ 1,1 bilhão para a recuperação de 40 mil hectares de floresta na bacia do rio Doce ao longo de 10 anos. Esse é um dos maiores programas de restauro florestal já realizados em uma bacia hidrográfica no Brasil e no mundo.

No intuito de definir sob bases científicas sólidas quais áreas da bacia deveriam receber os esforços de recuperação ambiental, foi firmado um convênio entre Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Fundação Renova.  

profissionais da reparação em colatina

“Como não há em curso um projeto de restauração dessa magnitude em propriedades privadas, a Fundação Renova precisou buscar uma solução inédita, que resultou na assinatura do seu primeiro convênio. Outro desafio grande foi a necessidade de integração das duas grandes universidades brasileiras que estão conosco nessa importante entrega”, explica Lucas Scarascia, líder de programa socioambiental da Renova.

“Não se trata de um contrato no qual as universidades receberam dinheiro pela entrega de um produto, mas, sim, de um convênio em que as partes envolvidas tinham seus objetivos, individuais e mútuos, e assim trabalharam de modo a buscar na ciência as respostas para um problema real, com aplicação prática”, destaca o professor Raoni Rajão, coordenador do projeto na UFMG.

Assista ao Diálogos com o professor Raoni Rajão

O projeto foi coordenado pelos professores Silvio Bueno Pereira (in memoriam) e José Ambrósio Ferreira Neto, da UFV, envolvendo pesquisadores do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais (LAGESA/UFMG), do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR/UFMG), e dos departamentos de Engenharia Agrícola, de Solos, Nutrição de Plantas e de Economia Rural da UFV.

Novas metodologias

O trabalho foi realizado em duas etapas. Na primeira, foram mapeadas as áreas prioritárias para a recuperação ambiental da bacia do rio Doce. Para isso, foram agregados dados ambientais, sociais e econômicos no intuito de gerar mapas que revelam os índices de vulnerabilidade ambiental e social e a vocação para a restauração na bacia.

Segundo Rajão, “essa é uma metodologia inovadora, uma vez que considera não apenas a degradação de uma área, mas também sua vocação para o reflorestamento, ou seja, a aptidão para receber e multiplicar com sucesso o esforço de restauração”.

O professor Ferreira Neto, da UFV ressalta que também foram consideradas as características socioeconômicas e demográficas das populações nessas áreas, para que elas sejam diretamente beneficiadas na implantação das atividades de restauração.

Também foram levadas em conta diferentes modalidades de restauração conforme a vocação para uso da terra, como a possibilidade de plantio de espécies nativas, a implantação de sistemas agroflorestais, que define a exploração econômica em consonância com os preceitos legais, e a regeneração natural em locais onde a vegetação pode se recompor com o mínimo de intervenção humana. “Dessa forma, foi possível delimitar as áreas da bacia em que há interseção entre características de pronunciada vulnerabilidade social e degradação ambiental e maior possibilidade de sucesso na implantação de medidas de restauração ambiental”, ressalta Rajão.

Na segunda etapa, foi elaborada uma proposta técnica de escalonamento da recuperação ambiental da bacia, por meio de um cronograma anual detalhado das etapas da restauração. “Com o mapa de priorização e com critérios de escalonamento à mão, buscamos definir a logística operacional do programa de recuperação ambiental, estabelecendo as áreas ao longo do tempo de implantação do programa”, explica Rajão.

A ciência como norteadora de políticas públicas e privadas

As etapas de desenvolvimento do projeto foram discutidas em sessões com órgãos governamentais e comitês de bacia hidrográfica, nas quais se estabeleceu um cenário de governança complexo, consolidando as áreas alvos da recuperação ambiental por meio de bases científicas e da prática de outras instituições.

“Um rico estudo de priorização de áreas foi entregue para a Câmara Técnica Restauração Florestal e Produção de Água (CT-FLOR) e analisado e validado pelo Comitê Interfederativo (CIF), que aprovou a nota técnica. O estudo foi apresentado para a sociedade em cinco oficinas com 400 participantes, articuladas em conjunto com a CT-FLOR e o Comitê de Bacias do Rio Doce (CBH-Doce). Alguns ajustes finos poderão ser feitos no momento da implantação, de acordo com os apontamentos dos produtores rurais atingidos”, completa Scarascia.

Para Rajão, o projeto trouxe ganhos importantes tanto para a academia, com o desenvolvimento de novas metodologias de análise ambiental, como para a sociedade, ao considerar o aspecto de aptidão das localidades para a restauração. “Alcançamos um novo patamar científico na definição de áreas de restauração quando incorporamos à análise fatores sociais como a geração de renda por meio de diferentes modalidades de reflorestamento conforme a vocação de cada região.”

O próximo passo compreende a aplicação das estratégias espaciais para a restauração, estabelecidas pelo projeto, vislumbrando um novo rumo para a melhoria da qualidade hídrica e ambiental da bacia do rio Doce.

Saiba mais sobre a definição de critérios de priorização de áreas para recuperação ambiental na bacia do rio Doce clicando aqui.

E conheça aqui o cronograma anual e detalhamento da proposta técnica de escalonamento da recuperação ambiental da bacia do rio Doce.

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