Manejo de Rejeito

Uma etapa importante do caminho da reparação envolve a busca de soluções para os rejeitos que se espalharam pelo rio Doce e afluentes. O Plano de Manejo de Rejeito, aprovado em junho de 2017 pela Câmara Técnica de Gestão de Rejeitos e Segurança Ambiental, propôs dividir a região atingida, que abrange 670 km, em 17 trechos. Cada um deles é avaliado de acordo com indicadores específicos.

  • Soluções específicas para tratamento de rejeitos: menor impacto ao meio ambiente e às comunidades
  • Até o momento, foram definidas as ações para os trechos que correspondem ao traçado de Mariana até a divisa de Barra Longa
  • No trecho do rio Gualaxo do Norte, entre os córregos Camargo e Santarém, foi iniciado o processo de renaturalização (colocação de troncos no leito do rio)

Plano de Manejo de Rejeito

Para saber mais:

Grandes Temas Manejo de Rejeitos Diálogos Juliana Bedoya

UHE Risoleta Neves

Uma das áreas mais críticas é a região da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). Ela teve um papel fundamental na retenção de 10,5 milhões m³ de rejeitos, impedindo que eles seguissem para a calha do rio Doce. A limpeza do reservatório é uma operação complexa, que foi iniciada em fevereiro de 2016. Dar à usina condições de retomar sua operação envolve soluções de engenharia inovadoras e inéditas.

  • 3 barramentos metálicos foram construídos dentro do reservatório da usina – localizadas a 400 metros, cinco quilômetros e seis quilômetros da barragem de Candonga. As barreiras ficarão submersas após o enchimento do reservatório.
  • 959 mil m³ de material foram bombeados do reservatório da Usina. A dragagem será concluída em 2020.
    O bombeamento retira do reservatório o sedimento, que é formado por 80% de água e 20% de rejeito. Esse material é acomodado na Fazenda Floresta, localizada a 3 km da usina.

Recuperação das Áreas Degradadas

O processo de recuperação das áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão envolveu, em um primeiro momento, a limpeza das calhas e a estabilização das margens dos rios Gualaxo do Norte e do Carmo, entre Mariana e Santa Cruz do Escalvado (MG). Para combater a erosão e evitar que a lama acumulada na parte externa dos rios caísse nas calhas, foram plantadas espécies nativas. Os afluentes que praticamente desapareceram da paisagem após o rompimento da barragem de Fundão tiveram que ser totalmente redesenhados com base em informações de geoprocessamento.

  • Cerca de 800 hectares de plantio emergencial para controle de erosão.
  • 113 afluentes recuperados – pequenos rios que alimentam o alto do rio Doce.
  • 1.522 hectares de controle de erosão e reconformação de margens, por meio de obras de bioengenharia em planícies.
  • 600 hectares de florestas nativas em Minas Gerais a serem recuperados até 2020.
  • Caminhos de drenagem refeitos entre Mariana e Rio Doce (MG).
    Estudo liderado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) comprovou que a revegetação emergencial acelerou o aumento da diversidade de microrganismos no solo. Pesquisa vai embasar produção de mudas em viveiros na bacia do rio Doce.

Reparação Integrada de Propriedades Rurais

A Fundação Renova apoia os produtores rurais que foram impactados pela passagem do rejeito por meio da implantação de um modelo de produção econômica sustentável adequado à realidade local. Entre as ações têm destaque o fomento e o apoio à readequação ambiental dessas propriedades conforme preconizam as normativas da legislação brasileira.

  • Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP) da bacia do rio Gualaxo do Norte e da microbacia do rio do Carmo concluído
  • Propriedades diagnosticadas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA) – mais de 4.000 índices avaliados
  • 233 propriedades rurais estão recebendo ações para promover a retomada de suas atividades agropecuárias.
    Propriedades estão localizadas em um trecho de 100 quilômetros entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.
  • Todas essas propriedades são elegíveis ao Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (PASEA), que tem como objetivo promover a adequação ambiental, melhoria de estruturas rurais, entre outras medidas.
    O PASEA foi criado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e colocado em prática por meio da parceria da Fundação Renova com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
  • Cerca de 160 hectares passíveis de plantio de cultura agrícola foram impactados e serão recuperados.
  • Aproximadamente 1.500 hectares localizados em regiões que não sofreram impactos serão requalificados, ampliando-se a cadeia de sustentabilidade econômica e ambiental da região.
  • 21 propriedades foram selecionadas como fazendas-modelo de silvicultura de espécies nativas, manejo de pastagem ecológica e sistemas agroflorestais.
  • 25 Unidades Demonstrativas serão implantadas.
  • 6,2 mil horas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) foram realizadas até o momento.

Restauração Florestal

A recuperação de nascentes e Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de recarga hídrica faz parte das ações integradas para a revitalização da bacia hidrográfica do rio Doce. Uma das principais metas é promover a melhoria nas condições de infiltração de água no solo nas áreas de drenagem e nascentes.

  • 40 mil hectares de APPs receberão processo de restauro em dez anos, sendo 10 mil hectares com plantio direto de, aproximadamente, 20 milhões de mudas.
  • Aproximadamente 800 hectares estão em fase de implantação do restauro nos municípios de Governador Valadares, Coimbra, Periquito e Galileia, em Minas Gerais; e Colatina, Marilândia e Pancas, no Espírito Santo.
  • Cerca de 800 mil mudas de espécies de Mata Atlântica serão utilizadas nesta etapa.
  • Mais de 680 produtores rurais participam da iniciativa.
    O programa de restauração florestal é considerado um dos maiores já realizados numa bacia hidrográfica no mundo e terá investimentos na casa de R$ 1,1 bilhão.
  • 5 mil nascentes irão passar por processo de recuperação em dez anos, sendo 10 mil hectares com plantio direto de, aproximadamente, 20 milhões de mudas
  • Mais mil nascentes já estão protegidas e em processo de restauração.
  • 1 milhão de mudas foram produzidas para uso na recuperação dessas nascentes.
  • Cerca de 720 propriedades rurais participam das ações de recuperação florestal.
  • Outras 500 nascentes estão no escopo do terceiro ano dessa frente de trabalho, em propriedades nas cidades de Sabinópolis, Virginópolis, Guanhães, Governador Valadares e Ponte Nova, em Minas Gerais, e Marilândia, Colatina e Linhares, no Espírito Santo.
    Pagamento por Serviços Ambientais (PSA): 270 proprietários são elegíveis, até o momento, ao programa que recompensa financeiramente agricultores que se comprometem a recuperar nascentes, mananciais e fontes de água em suas propriedades. No final de novembro de 2019 foram realizados os primeiros pagamentos aos produtores que aderiram ao PSA. Estima-se o repasse total de R$ 1 milhão ao final dos contratos.
    Parceria com o Centro de Formação Francisca Veras, organização de Governador Valadares formada por famílias assentadas e mediadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), possibilitará a restauração florestal de 180 hectares de Áreas de Preservação Permanente e de Recarga Hídrica em quatro assentamentos mineiros, situados em Santa Maria do Suaçuí, Periquito, Campanário e Jampruca.

Para saber mais:

Grandes Diálogos Raquel Biderman Parceria entre MST-MG e Fundação Renova pela recuperação ambiental Restauração Florestal: conheça os esforços para alinhar conservação e produção na bacia do rio Doce

Gestão Hídrica

O rio Doce é hoje o mais monitorado do Brasil. Em 31 de julho de 2017, foi implementado o Programa de Monitoramento Quali-Quantitativo Sistemático (PMQQS), que tem duração de dez anos e faz um monitoramento extensivo e detalhado dos cursos d’água impactados.

  • Mais de 3 milhões de dados gerados pelo programa de monitoramento por ano
  • 650 quilômetros de monitoramento de rios e lagoas, mais 230 quilômetros de monitoramento ao longo das zonas costeira e estuarina
  • 92 pontos de monitoramento distribuídos no rio Doce e na zona costeira indicam que a água bruta do Rio Doce pode ser consumida após tratada
  • Entre esses pontos estão 22 estações automáticas, que geram informações em tempo real
  • 80 parâmetros físicos, químicos e biológicos são analisados na água e 40 nos sedimentos
  • Mais de 300 pontos de monitoramento de água para consumo humano em 30 municípios.

Cinco órgãos participam desse trabalho, por meio de um Grupo Técnico de Acompanhamento: Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo (Agerh).

Para saber mais:

Grandes Temas Água Jornada pela Recuperação

Biodiversidade

A Fundação Renova atua em duas frentes nas ações de biodiversidade, ambas com foco no monitoramento e elaboração de estudos relacionados aos impactos do rompimento da barragem de Fundão – são os estudos da flora e da fauna terrestres e da biota aquática do rio Doce e o monitoramento marinho. Do resultado desse trabalho conjunto, serão estabelecidas as diretrizes para preservação do ecossistema ao longo do rio Doce no trecho impactado, na foz e na zona costeira, conclusões acerca do consumo de pescado na alimentação humana e sobre a liberação da pesca de espécies nativas sem ameaça à continuidade da fauna local, entre outras.

  • Mais de 30 instituições de ensino, de pesquisa, empresas e ONGs são parceiras da Fundação Renova nesses projetos
  • Cerca de 800 profissionais trabalham nessas frentes

Fauna e flora terrestres

  • Monitoramento vai detectar os níveis de metais residuais em vertebrados e invertebrados, na flora terrestre, nas ilhas fluviais e no solo ao longo do rio Doce.

Biota aquática e marinha

  • Cerca de 200 pontos de monitoramento
  • 526 profissionais
  • 43 mil coletas de dados sobre água, sedimentos, animais e vegetais
  • Parceria com a Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST) e a Rede Rio Doce Mar
  • Parceria com a Fundação Pro-Tamar para monitorar tartarugas marinhas em um trecho de 159 km no Espírito Santo.
  • Parceria com a Fundação Biodiversitas para a avaliação do estado de conservação de peixes e invertebrados aquáticos nativos do rio Doce.

Projeto em parceria entre as fundações Renova e Pro-Tamar monitora as condições das tartarugas marinhas em uma área que abrange 159 km de praias do Espírito Santo. Ocorrências de desova são rigorosamente registrados para identificar qualquer alteração no padrão reprodutivo do animal, que se tornou símbolo de preservação na região. O estudo é realizado durante todo o ano e reforçado na fase de desova das tartarugas, de setembro a março.

Impactos em Unidades de Conservação

  • 40 Unidades de Conservação (UCs) podem ter sido direta ou indiretamente afetadas pelo rompimento da barragem
  • Os estudos de avaliação de impactos foram concluídos para 6 Unidades de Conservação avaliadas e seguem em andamento para as demais.

A Fundação Renova custeará ações para consolidação do Parque Estadual do Rio Doce (MG) e do Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz (ES), além da construção da sede, elaboração e execução do Plano de Manejo da nova Área de Proteção Ambiental na foz do rio Doce (ES), que ainda será criada pelo poder público.

Recuperação da Fauna Silvestre

Outra frente de trabalho atuará na construção e aparelhamento de dois Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), um em Minas Gerais e outro no Espírito Santo. Após as entregas, a manutenção dos espaços será conduzida pela Fundação Renova por um período de três anos.

Para saber mais:

Diálogos Bruno Pimenta Biodiversidade terrestre: conheça a metodologia usada no monitoramento Biodiversidade Aquática: entenda como é feito o monitoramento na foz do rio Doce e entorno