Manejo de Rejeito

A região atingida abrange 670 km de cursos d’água e foi dividida em 17 trechos. A Fundação Renova definiu as ações e técnicas mais adequadas para a reparação de cada um deles, a partir dos indicadores específicos de cada parte, como volume, espessura e características do rejeito, além das condições do meio ambiente.

MAIS DE 80 ESPECIALISTAS FORAM REUNIDOS PELA RENOVA PARA DESENVOLVER O PLANO DE MANEJO DE REJEITOS, UM CONJUNTO DAS SOLUÇÕES QUE PRIORIZA O TRATAMENTO DO REJEITO NO RIO E SEU ENTORNO, SEM QUE ELE SEJA RETIRADO, O QUE CAUSARIA UM IMPACTO AMBIENTAL AINDA MAIOR.

 

  • Até o momento, foram definidas as ações para os trechos que correspondem ao traçado de Mariana até a divisa de Barra Longa.
  • No trecho do rio Gualaxo do Norte, entre os córregos Camargo e Santarém, foi iniciado o processo de renaturalização (instalação de troncos na calha do rio para restabelecer condições ambientais favoráveis à biota aquática).

  • No rio Gualaxo do Norte foi implantado projeto-piloto das Estações de Tratamento Natural (ETN), que utiliza barreiras filtrantes e ilhas de vegetação na calha do rio para filtrar a água e absorver metais. 
  • Recuperação ambiental e desassoreamento da Cachoeira de Camargos, no distrito de Mariana (MG).
  • A definição pela retirada dos rejeitos ocorreu em dois locais: Barra Longa (MG), único município com área urbana atingido diretamente pela lama, e cachoeira de Camargos, no distrito de Mariana (MG).

Para saber mais:

Grandes Temas Manejo de Rejeitos

UHE Risoleta Neves

Uma das áreas mais críticas é a região da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). Ela teve um papel fundamental na retenção de 10,5 milhões m³ de rejeitos, impedindo que eles seguissem para a calha do rio Doce. A limpeza do reservatório é uma operação complexa, que foi iniciada em fevereiro de 2016. Dar à usina condições de retomar sua operação envolve soluções de engenharia inovadoras e inéditas.

  • 3 barramentos metálicos foram construídos dentro do reservatório da usina – localizadas a 400 metros, cinco quilômetros e seis quilômetros da barragem de Candonga. As barreiras ficarão submersas após o enchimento do reservatório.
  • 959 mil m³ de material foram bombeados do reservatório da Usina.
    O bombeamento retira do reservatório o sedimento, que é formado por 80% de água e 20% de rejeito. Esse material é acomodado na Fazenda Floresta, localizada a 3 km da usina.

Recuperação das Áreas Degradadas

O processo de recuperação das áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão envolveu, em um primeiro momento, a limpeza das calhas e a estabilização das margens dos rios Gualaxo do Norte e do Carmo, entre Mariana e Santa Cruz do Escalvado (MG). Para combater a erosão e evitar que a lama acumulada na parte externa dos rios caísse nas calhas, foram plantadas espécies nativas. Os afluentes que praticamente desapareceram da paisagem após o rompimento da barragem de Fundão tiveram que ser totalmente redesenhados com base em informações de geoprocessamento.

  • Cerca de 800 hectares de plantio emergencial para controle de erosão.
  • 113 afluentes recuperados – pequenos rios que alimentam o alto do rio Doce.
  • Cerca de 1.500 hectares de controle de erosão e reconformação de margens, por meio de obras de bioengenharia em planícies.
  • Caminhos de drenagem refeitos entre Mariana e Rio Doce (MG).

Estudos Universidade Federal de Viçosa (UFV)

  • Estudo coordenado pela doutora Maria Catarina Megumi Kasuya, especialista em microbiologia do solo comprovou que a revegetação emergencial acelerou o aumento da diversidade de microrganismos no solo. Pesquisa vai embasar produção de mudas em viveiros na bacia do rio Doce.
  • Não há limitações para o cultivo direto no rejeito. Pesquisas conduzidas pelo professor doutor Carlos Schaefer, especialista em solos, monitoram o solo diretamente atingido pelo rejeito desde 2015 e mostraram que não há riscos para o plantio em propriedades que receberam ações de reparação.
    60 pontos de coleta do solo, distribuídos entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, geram amostras para análises periódicas sobre a toxicidade do solo e a natureza do rejeito depositado.
  • Outro estudo comandado pelo professor Sebastião Venâncio, doutor em botânica, mostra alta sobrevivência de mudas de espécies nativas plantadas sobre o rejeito. A pesquisa também constatou que o rejeito não representa um impedimento para a regeneração natural por não conter substâncias tóxicas.

Reparação Integrada de Propriedades Rurais

A Fundação Renova apoia os produtores rurais que foram impactados pela passagem do rejeito por meio da implantação de um modelo de produção econômica sustentável adequado à realidade local. Entre as ações têm destaque o fomento e o apoio à readequação ambiental dessas propriedades conforme preconizam as normativas da legislação brasileira.

PROPRIEDADES NA REGIÃO DO ALTO RIO DOCE

Localizadas em um trecho de 100 quilômetros entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.

  • Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP) da bacia do rio Gualaxo do Norte e da microbacia do rio do Carmo concluído.
  • Propriedades diagnosticadas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA) – mais de 4.000 índices avaliados.
  • Mais de 150 propriedades rurais estão recebendo ações para promover a retomada de suas atividades agropecuárias.
  • Todas essas propriedades são elegíveis ao Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (PASEA), que tem como objetivo promover a adequação ambiental, melhoria de estruturas rurais, entre outras medidas.
    O PASEA foi criado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e colocado em prática por meio da parceria da Fundação Renova com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
  • Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER):  mais de 2.540 horas realizadas a partir do segundo semestre de 2019 até o momento.

Outras 5 mil horas de ATER foram realizadas por equipes da Fundação Renova, entre janeiro de 2017 e agosto de 2019, em propriedades rurais atingidas. O objetivo é promover a conservação de recursos naturais, práticas de produção sustentável e apoio direto às famílias na gestão da propriedade e comercialização dos produtos, complementando a visão integrada dos PASEAs.

PRODUÇÃO E CONSERVAÇÃO

  • Cerca de 160 hectares impactados pelo rompimento da barragem de Fundão são passíveis de plantio de cultura agrícola e serão recuperados.
  • Mais de 800 hectares de áreas que não sofreram impactos serão requalificados, ampliando-se a cadeia de sustentabilidade econômica e ambiental da região.
  • 21 propriedades foram selecionadas como fazendas-modelo de silvicultura de espécies nativas, manejo de pastagem ecológica e sistemas agroflorestais.
  • 25 Unidades Demonstrativas serão implantadas.
  • Mais de 470 infraestruturas rurais simples concluídas, entre currais, chiqueiros e galinheiros.
  • Mais de 380 barraginhas construídas para armazenar água da chuva.
  • Mais de 43 mil toneladas de silagem entregues para produtores rurais impactados.
  • 187 nascentes cercadas e 48 nascentes com plantio florestal realizado.

A melhoria genética do rebanho bovino das propriedades rurais atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão está entre os trabalhos executados pela Fundação Renova. Conhecida como Renova Rebanho, a iniciativa tem como objetivo aumentar a produção de leite, aliando a tecnologia da inseminação artificial com técnicas de manejo. Até o momento, foram registrados 447 nascimentos de bezerros.

PROPRIEDADES NAS REGIÕES DO MÉDIO E BAIXO RIO DOCE

Localizadas no trecho após a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves até Linhares (ES), na região da foz do Rio Doce.

  • 280 famílias em assentamentos rurais nos municípios de Tumiritinga e Periquito, em Minas Gerais, e Linhares, no Espírito Santo estão recebendo ações de assistência técnica.
  • 257 propriedades diagnosticadas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA).
  • Mais de 7 mil horas realizadas de Assistência Técnica e Extensão Social (ATES).
    Modalidade de assistência adaptada ao arranjo familiar dos assentados da reforma agrária.
  • Outras 711 propriedades rurais nas regiões do médio e baixo Rio Doce receberão ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).

Restauração Florestal

A Fundação Renova atua de forma integrada para revitalização ambiental da bacia do rio Doce, unindo ações para proteção de nascentes, recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e áreas de recarga hídrica. A ação nessas áreas contribui para a melhoria da qualidade e quantidade de água de mananciais alternativos na região.

  • 40 mil hectares de APPs serão restaurados, sendo 10 mil hectares com plantio direto de, aproximadamente, 20 milhões de mudas.
  • 5 mil nascentes serão recuperadas em Minas Gerais e no Espírito Santo
  • R$ 1,2 bilhão será destinado para as iniciativas de restauração florestal, uma das maiores do país em uma bacia hidrográfica

AS ATIVIDADES DE RESTAURAÇÃO FLORESTAL ALCANÇARAM, ATÉ O MOMENTO, 1.355 HECTARES EM MINAS GERAIS E NO ESPÍRITO SANTO, ÁREA EQUIVALENTE A 1.300 CAMPOS DE FUTEBOL. PARA A REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES, A FUNDAÇÃO RENOVA EMPREGA PRINCIPALMENTE MÃO DE OBRA LOCAL, COMO A DE PEQUENOS AGRICULTORES.

  • Cerca de 800 hectares de Áreas de Preservação Permanente e áreas de recarga hídrica estão em fase de implantação nos municípios de Governador Valadares, Coimbra, Periquito e Galileia, em Minas Gerais; e Colatina, Marilândia e Pancas, no Espírito Santo.
  • Mais de 680 produtores rurais participam da iniciativa.
  • Cerca de 1.500 nascentes estão com o processo de recuperação iniciado.
  • 1 milhão de mudas foram produzidas para uso na recuperação dessas nascentes.
  • Mais de 720 propriedades rurais são parceiras nas ações.
    Parceria com o Centro de Formação Francisca Veras, organização de Governador Valadares formada por famílias assentadas e mediadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), possibilitará a restauração florestal de 180 hectares de Áreas de Preservação Permanente e de Recarga Hídrica em quatro assentamentos mineiros, situados em Santa Maria do Suaçuí, Periquito, Campanário e Jampruca.

Pagamento por Serviços Ambientais (PSA): R$ 209 mil pagos a produtores, até o momento, por se comprometerem a permitir o restauro de nascentes, APPs, ARHs, mananciais ou fontes de água em suas propriedades.

Para saber mais:

Programa de Recuperação de Nascentes da Fundação Renova

Qualidade da Água

A água do rio Doce pode ser consumida após passar por tratamento convencional em sistemas municipais de abastecimento. É isso que indicam os mais de 3 milhões de dados gerados anualmente pelo maior sistema de monitoramento de cursos d’água do Brasil, criado pela Fundação Renova em 2017 para monitorar o rio Doce.

  • Mais de 3 milhões de dados gerados pelo programa de monitoramento por ano.
  • 650 quilômetros de monitoramento de rios e lagoas, mais 230 quilômetros de monitoramento ao longo das zonas costeira e estuarina.
  • 92 pontos de monitoramento distribuídos no rio Doce e na zona costeira indicam que a água bruta do Rio Doce pode ser consumida após tratada.
  • Entre esses pontos estão 22 estações automáticas, que geram informações em tempo real.
  • 80 parâmetros físicos, químicos e biológicos são analisados na água e 40 nos sedimentos.
  • Mais de 300 pontos de monitoramento de água para consumo humano em 30 municípios.
  • Em 2020 está previsto um orçamento de R$ 48 milhões para ações de continuidade dos programas de monitoramento de água e sedimentos da bacia do rio doce e zona costeira e estuarina.

Cinco órgãos participam desse trabalho, por meio de um Grupo Técnico de Acompanhamento: Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo (Agerh).

Para saber mais:

Grandes Temas Água Jornada pela Recuperação

Biodiversidade

A Fundação Renova atua em duas frentes nas ações de biodiversidade, ambas com foco no monitoramento e elaboração de estudos relacionados aos impactos do rompimento da barragem de Fundão – são os estudos da flora e da fauna terrestres e da biota aquática do rio Doce e o monitoramento marinho. Do resultado desse trabalho conjunto, serão estabelecidas as diretrizes para preservação do ecossistema ao longo do rio Doce no trecho impactado, na foz e na zona costeira, conclusões acerca do consumo de pescado na alimentação humana e sobre a liberação da pesca de espécies nativas sem ameaça à continuidade da fauna local, entre outras.

Fauna e flora terrestres

  • Monitoramento vai detectar os níveis de metais residuais em vertebrados e invertebrados, na flora terrestre, nas ilhas fluviais e no solo ao longo do rio Doce.

Biota aquática e marinha

  • Parcerias com instituições de ensino e pesquisa  para monitoramento da biodiversidade aquática no Espírito Santo e em Minas Gerais.
  • Parceria com a Fundação Biodiversitas para a avaliação do estado de conservação de peixes e invertebrados aquáticos nativos do rio Doce.
  • Parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) para realizar Chamada de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para monitoramento da biodiversidade de ambientes aquáticos de Minas Gerais em áreas impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Projeto em parceria entre as fundações Renova e Pro-Tamar monitora as condições das tartarugas marinhas em uma área que abrange 159 km de praias do Espírito Santo. Ocorrências de desova são rigorosamente registrados para identificar qualquer alteração no padrão reprodutivo do animal, que se tornou símbolo de preservação na região. O estudo é realizado durante todo o ano e reforçado na fase de desova das tartarugas, de setembro a março.

Impactos em Unidades de Conservação

  • 40 Unidades de Conservação (UCs) podem ter sido direta ou indiretamente afetadas pelo rompimento da barragem.
  • Os estudos de avaliação de impactos foram concluídos para 6 Unidades de Conservação avaliadas e seguem em andamento para as demais.

A Fundação Renova custeará ações para consolidação do Parque Estadual do Rio Doce (MG) e do Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz (ES), além da construção da sede, elaboração e execução do Plano de Manejo da nova Área de Proteção Ambiental na foz do rio Doce (ES), que ainda será criada pelo poder público.

Recuperação da Fauna Silvestre

Outra frente de trabalho atuará na construção e aparelhamento de dois Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), um em Minas Gerais e outro no Espírito Santo. Após as entregas, a Fundação Renova deverá assegurar recursos para a manutenção dos dois CETRAS por um período de três anos.