SOLUÇÕES PARA OS REJEITOS

Os rejeitos da barragem de Fundão impactaram cursos d´água, solo, nascentes, o próprio rio Doce e sua foz, no litoral do Espírito Santo. São várias as tecnologias empregadas nas soluções para esses rejeitos, como a revegetação e reconformação das margens, para controle da erosão, e a recomposição da mata ciliar. Essas ações contribuem para a recuperação ambiental de toda a bacia, criando condições para um ambiente com mais biodiversidade e refletindo nos dados de qualidade da água do rio, que está em condições similares às de antes do rompimento.

PLANOS DE MANEJO DE REJEITOS

Mais de 80 especialistas de renome nacional e internacional foram reunidos pela Fundação Renova, com a participação de órgãos ambientais, para desenvolver os Planos de Manejo de Rejeitos. A região atingida abrange 670 km de cursos d’água e foi dividida em 17 trechos. Ações e técnicas adequadas foram definidas para a reparação de cada um deles, a partir de indicadores específicos, como volume, espessura e características do rejeito, além das condições do meio ambiente. Elas envolvem conformação de margens, bioengenharia, renaturalização e restauração florestal, controle de erosão e retomada de atividades agrícolas em áreas impactadas.

  • O Plano de Manejo de Rejeitos nas áreas rurais entre Mariana e o limite de Candonga está aprovado e implementado nas propriedades que autorizaram a execução. Entre Candonga e a foz, os planos estão protocolados
  • Em dois trechos do rio Gualaxo do Norte, entre os córregos Camargo e Santarém, foi executado o projeto-piloto de renaturalização (instalação de troncos na calha do rio para restabelecer condições ambientais favoráveis à biota aquática)
  • O projeto-piloto recebeu duas premiações: BRICS Solutions for SDGs 2021 (categoria Água Limpa e Saneamento), premiação que reconhece projetos inovadores e que contribuem para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (saiba mais) e Prêmio Hugo Werneck (categoria Melhor Exemplo em Água), considerado o Oscar da Ecologia no país.

 

  • No rio Gualaxo do Norte foi implantado projeto-piloto das Estações de Tratamento Natural (ETN), que utiliza barreiras filtrantes e ilhas de vegetação na calha do rio para filtrar a água e absorver metais
  • A retirada dos rejeitos, até o momento, ocorreu em dois locais: Barra Longa (MG), município com área urbana atingida diretamente pela lama, e cachoeira de Camargos, distrito de Mariana (MG), com a limpeza da área do lago atendendo ao pedido da comunidade
  • O rejeito não é tóxico, nem nocivo. Contém minerais e elementos naturais presentes em rochas e solos da região (rico em ferro, manganês e alumínio), areia (sílica) e água. O material foi caracterizado como não perigoso em todas as amostras, segundo critérios da norma brasileira de classificação de resíduos sólidos
  • O rejeito também não é impeditivo para a realização de diversas atividades econômicas e produtivas

DADOS OBTIDOS EM LEVANTAMENTOS DA AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS (ANA) E DO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL (CPRM) DEMONSTRAM QUE NÃO HOUVE DEPOSIÇÃO DE MATERIAL ORIUNDO DO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO COM POTENCIAL DE ALTERAR OS NÍVEIS DE INUNDAÇÃO NO RIO DOCE, COMO NAS REGIÕES PRÓXIMAS DE GOVERNADOR VALADARES E DE COLATINA. EVENTOS DE INUNDAÇÕES EXIGEM UMA ANÁLISE CRITERIOSA E INTEGRADA DE DADOS DE TODA A BACIA DE CONTRIBUIÇÃO DO RIO, BEM COMO DA INTENSIDADE E CONCENTRAÇÃO DA CHUVA NO ESPAÇO E NO TEMPO.

A USINA HIDRELÉTRICA RISOLETA NEVES (CANDONGA) TEVE UM PAPEL FUNDAMENTAL NA RETENÇÃO DE 10,5 MILHÕES M³ DE REJEITOS, IMPEDINDO QUE ELES SEGUISSEM PARA A CALHA DO RIO DOCE. TRÊS BARRAMENTOS METÁLICOS FORAM CONSTRUÍDOS DENTRO DO RESERVATÓRIO DA USINA E 959 MIL M³ DE MATERIAL FORAM BOMBEADOS. AS ATIVIDADES, ANTERIORMENTE EXECUTADAS PELA FUNDAÇÃO RENOVA, FORAM ASSUMIDAS PELA SAMARCO A PARTIR DE UM ACORDO DE COOPERAÇÃO. SERÃO REALIZADAS OBRAS COMPENSATÓRIAS, DE REMOÇÃO DE REJEITOS E DRAGAGEM, DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS, RECUPERAÇÃO AMBIENTAL DAS MARGENS DO RIO DOCE E SETORES DA USINA HIDRELÉTRICA RISOLETA NEVES.

RECUPERAÇÃO DOS CURSOS D’ÁGUA E DO SOLO

Estudo do professor Carlos Tucci, especialista em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, analisou as características hidrossedimentológicas do trecho da bacia do rio Doce atingido pelo desastre de Fundão. O objetivo foi entender o comportamento dos processos erosivos relacionados à dinâmica da água e dos sedimentos. Por meio de modelagem matemática, também foi analisada a interação do ambiente com o rejeito ao longo dos anos. Segundo o estudo, até 2019 houve uma redução de 34% no volume de rejeitos depositado no leito do rio após o rompimento, o que significa uma tendência de retorno aos padrões registrados no período anterior ao desastre.

Atualmente, os valores de transporte de sedimentos no rio Doce, no trecho entre a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga) até a foz, no Espírito Santo, já se aproximaram dos valores históricos. Estes índices são medidos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em sua rede hidrometeorológica, com dados de antes do rompimento. A comparação evidencia uma clara recuperação do trecho afetado. A pesquisa também aponta que, ao final dos dez anos simulados, grande parte dos rejeitos tendem a se consolidar ao longo do tempo a partir das ações da reparação da Fundação Renova, de crescimento da vegetação local e da estabilização do fundo dos rios afetados, com a formação da camada mais grosseira (areia, cascalho etc) dos sedimentos naturais.

Para saber mais:

Expedição Rio Doce

Redução no Volume de Rejeitos

AÇÕES DE RECUPERAÇÃO AMBIENTAL

Os rios Gualaxo do Norte e Carmo, que sofreram o primeiro impacto ambiental do rompimento de Fundão, já respondem às ações executadas pela Fundação Renova. Os resultados do monitoramento da qualidade da água mostram que a turbidez está decaindo a cada ano. Esses 100 primeiros quilômetros, entre Mariana e Santa Cruz do Escalvado, em Minas Gerais, receberam ações ainda em 2015. Foi realizada a limpeza dos leitos, plantio emergencial de vegetação e a estabilização das margens dos rios. Na sequência foi iniciada a recomposição da mata ciliar, fundamental para a saúde dos cursos d’água.

  • Cerca de 800 hectares de plantio emergencial para controle de erosão
  • 113 afluentes recuperados – pequenos rios que alimentam o alto do rio Doce
  • Ações para controle de erosão e reconformação de margens, por meio de obras de bioengenharia em planícies
  • Caminhos de drenagem refeitos entre Mariana e Rio Doce (MG)

Estudos Universidade Federal de Viçosa (UFV)

  • Estudo coordenado pela doutora Maria Catarina Megumi Kasuya, especialista em microbiologia do solo comprovou que a revegetação emergencial acelerou o aumento da diversidade de microrganismos no solo. Pesquisa vai embasar produção de mudas em viveiros na bacia do rio Doce
  • Não há limitações para o cultivo direto no rejeito. Pesquisas conduzidas pelo professor doutor Carlos Schaefer, especialista em solos, monitoram o solo diretamente atingido pelo rejeito desde 2015 e mostraram que não há riscos para o plantio em propriedades que receberam ações de reparação
    60 pontos de coleta do solo, distribuídos entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, geram amostras para análises periódicas sobre a toxicidade do solo e a natureza do rejeito depositado.
  • Em estudo comandado pelo professor Sebastião Venâncio, doutor em botânica, foram plantadas 41 mil mudas de espécies nativas em 41,5 hectares de área impactada. Diferentes experimentos demonstraram uma alta capacidade de regeneração do solo com rejeito, diversidade de plantas cultivadas e um bom desenvolvimento de mudas. A pesquisa também constatou que o rejeito não representa um impedimento para a regeneração natural por não conter substâncias tóxicas
  • Um outro estudo conduzido pela equipe do professor Sebastião Venâncio, do Laboratório de Restauração Florestal da Universidade Federal de Viçosa (LARF-UFV), está avaliando o uso de bolas de sementes como alternativa para promover a restauração florestal. A técnica pode ser utilizada para recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de mata ciliar da região impactada, com ganhos ambientais para toda a bacia do rio Doce

Para saber mais:

Expedição Rio Doce

Reparação Integrada de Propriedades Rurais

A Fundação Renova apoia os produtores rurais que foram impactados pela passagem do rejeito por meio da implantação de um modelo de produção econômica sustentável adequado à realidade local. Entre as ações têm destaque o fomento e o apoio à readequação ambiental dessas propriedades conforme preconizam as normativas da legislação brasileira.

PROPRIEDADES NA REGIÃO DO ALTO RIO DOCE

Localizadas em um trecho de 100 quilômetros entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.

  • Zoneamento Ambiental Produtivo (ZAP) da bacia do rio Gualaxo do Norte e da microbacia do rio do Carmo concluído
  • Aproximadamente 200 propriedades diagnosticadas e monitoradas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA) – mais de 4.000 índices avaliados
  • Mais de 180 propriedades rurais estão recebendo ações para promover a retomada de suas atividades agropecuárias
  • Todas essas propriedades são elegíveis ao Plano de Adequação Socioeconômica e Ambiental (PASEA), que tem como objetivo promover a adequação ambiental, melhoria de estruturas rurais, entre outras medidas
    O PASEA foi criado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e colocado em prática por meio da parceria da Fundação Renova com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
  • Foram concluídas, em julho de 2021, as primeiras hortas agroecológicas circulares para produtores rurais integrantes do Pasea. O formato circular das estruturas possibilita um melhor aproveitamento da luz, da água na irrigação e dos espaços da terra para diversificação do plantio. Saiba mais
  • Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER): mais de 14.200 horas realizadas a partir do segundo semestre de 2019 até o momento

 

OUTRAS 5 MIL HORAS DE ATER FORAM REALIZADAS POR EQUIPES DA FUNDAÇÃO RENOVA, ENTRE JANEIRO DE 2017 E AGOSTO DE 2019, EM PROPRIEDADES RURAIS ATINGIDAS. O OBJETIVO É PROMOVER A CONSERVAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS, PRÁTICAS DE PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL E APOIO DIRETO ÀS FAMÍLIAS NA GESTÃO DA PROPRIEDADE E COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS, COMPLEMENTANDO A VISÃO INTEGRADA DOS PASEAS.

A FUNDAÇÃO RENOVA CONCLUIU, NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2021, A IMPLANTAÇÃO DA RESTAURAÇÃO DE CERCA DE 550 HECTARES DE FLORESTAS E ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EM MARIANA, BARRA LONGA, RIO DOCE, SANTA CRUZ DO ESCALVADO E PONTE NOVA. O TRABALHO FOI REALIZADO EM MAIS DE 200 PROPRIEDADES RURAIS AFETADAS DIRETAMENTE PELOS REJEITOS, ONDE FORAM PLANTADAS CERCA DE 350 MIL MUDAS DE 176 ESPÉCIES NATIVAS. AS ÁREAS FORAM PROTEGIDAS POR CERCAMENTO OU PELA PRÓPRIA VEGETAÇÃO NATIVA EXISTENTE NO LOCAL. ATÉ O MOMENTO, R$ 356 MILHÕES FORAM DESTINADOS A ESTAS AÇÕES DE REPARAÇÃO AMBIENTAL.

PRODUÇÃO E CONSERVAÇÃO

  • Cerca de 160 hectares impactados pelo rejeito podem ser utilizados na cultura agrícola e serão recuperados
  • Mais de 2.800 hectares hectares de áreas que não sofreram impacto serão recuperados para uso produtivo, ampliando-se a cadeia econômica na região
  • 25 Unidades Demonstrativas serão implantadas
  • 16 propriedades já possuem Unidades Demonstrativas implantadas na região do Alto Rio Doce
  • 800 infraestruturas rurais simples concluídas, entre currais, chiqueiros e galinheiros
  • 459 barraginhas construídas para armazenar água da chuva
  • Quase 53 mil toneladas de silagem entregues para produtores rurais impactados
  • 238 nascentes cercadas e 58 nascentes com plantio florestal realizado

A melhoria genética do rebanho bovino das propriedades rurais atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão está entre os trabalhos executados pela Fundação Renova. Conhecida como Renova Rebanho, a iniciativa tem como objetivo aumentar a produção de leite, aliando a tecnologia da inseminação artificial com técnicas de manejo.

PROPRIEDADES NAS REGIÕES DO MÉDIO E BAIXO RIO DOCE

Localizadas no trecho após a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves até Linhares (ES), na região da foz do Rio Doce.

  • 274 famílias em assentamentos rurais nos municípios de Tumiritinga e Periquito, em Minas Gerais, e Linhares, no Espírito Santo estão recebendo ações de assistência técnica
  • 257 propriedades diagnosticadas por meio do Indicador de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA)
  • Cerca de 21.000 horas realizadas de Assistência Técnica e Extensão Social (ATES)
    Modalidade de assistência adaptada ao arranjo familiar dos assentados da reforma agrária.
  • Mais de 600 propriedades rurais nas regiões do médio e baixo Rio Doce receberão ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER)

PRODUTORES RURAIS DE MUNICÍPIOS DO MÉDIO E BAIXO RIO DOCE RECEBERÃO SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL (ATER) PARA AUXILIAREM NO PROCESSO DE FORTALECIMENTO E RETOMADA DAS ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS. AS ATIVIDADES SERÃO REALIZADAS EM 4 MUNICÍPIOS CAPIXABAS E 29 MUNICÍPIOS MINEIROS. .

Para saber mais:

Expedição Rio Doce

Restauração Florestal

A Fundação Renova está recuperando nascentes, outras Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de recargas hídricas na bacia do rio Doce, ações que contribuem de maneira integrada para a qualidade da água. As nascentes têm papel fundamental na recuperação de um rio. Se elas estão preservadas, fornecem água de boa qualidade para os mananciais. Outra contribuição vem das áreas de recarga hídrica, formadas por mata nativa. Com mais árvores e raízes, a água da chuva infiltra no solo, com menor escoamento superficial e carreamento de sedimentos diretamente para os rios.

  • 40 mil hectares de APPs serão restaurados
  • 5 mil nascentes serão recuperadas em Minas Gerais e no Espírito Santo
  • R$ 1,7 bilhão será destinado para as iniciativas de restauração florestal
  • Cerca de 2,8 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente e áreas de recarga hídrica em processo de restauração em Minas Gerais e no Espírito Santo
  • Cerca de 200 propriedades rurais são parceiras nas ações de restauro florestal
  • Mais de 1.250 nascentes estão com o processo de recuperação iniciado
  • Cerca de 500 propriedades rurais participam das ações para recuperação de nascentes

A FUNDAÇÃO RENOVA MOBILIZA PRODUTORES E PRODUTORAS RURAIS DE 65 MUNICÍPIOS DA BACIA DO RIO DOCE POR MEIO DO EDITAL DE ADESÃO DE PRODUTORES RURAIS AOS PROGRAMAS DE RESTAURAÇÃO FLORESTAL, VOLTADO PARA AÇÕES COMPENSATÓRIAS DE REFLORESTAMENTO. ABRANGENDO TODAS AS REGIÕES ESTABELECIDAS PELO CBH-DOCE E PELO ESTUDO DE PRIORIZAÇÃO ELABORADO PELAS UNIVERSIDADES FEDERAL DE VIÇOSA (UFV) E DE MINAS GERAIS (UFMG), O EDITAL ESTÁ ABERTO PERMANENTEMENTE ATÉ QUE SE ALCANCE A META TOTAL DE RECUPERAR 5 MIL NASCENTES E 40 MIL HECTARES EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APPS) OU EM ÁREAS DE RECARGA HÍDRICA NAS BACIAS DOS RIOS MANHUAÇU, SANTA MARIA DO DOCE, BANANAL, PANCAS, CORRENTE GRANDE, GUANDU E PIRANGA.

PARA EXECUTAR AS AÇÕES DE RESTAURAÇÃO FLORESTAL PREVISTAS NO EDITAL DE ADESÃO, A RENOVA ESTÁ CONTRATANDO, TAMBÉM VIA EDITAIS, EMPRESAS PRIVADAS OU CONSÓRCIOS COM EXPERTISE PARA PRESTAR SERVIÇOS TÉCNICOS, CIENTÍFICOS E OPERACIONAIS. EM 2022, SERÃO DESTINADOS MAIS DE R$ 500 MILHÕES PARA RESTAURAR MILHARES DE HECTARES NAS BACIAS DOS RIOS GUANDU (MG), MANHUAÇU (MG), PIRANGA (MG), CORRENTE (MG) E SANTA MARIA (ES), TOTALIZANDO UMA ÁREA DE QUASE 16 MIL CAMPOS DE FUTEBOL. Saiba mais.

PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS

Agricultores que se comprometem a recuperar as áreas de sua propriedade, em especial nascentes, mananciais e fontes de água estão sendo recompensados financeiramente. No modelo de Pagamento por Serviços Ambientais, a adesão é voluntária. A Fundação Renova é responsável por executar e dar suporte à restauração ambiental nas propriedades, fornecendo os insumos e mão de obra. O produtor rural, que será remunerado, fica responsável pela manutenção das áreas, por um prazo de cinco anos.

  • R$ 700 mil pagos a produtores rurais na bacia do rio Doce (recuperação de nascentes e APPs)

INVENTÁRIO FLORESTAL

O Inventário Florestal realizado pela Fundação Renova é um dos maiores em andamento no país e está criando um banco de dados sobre as condições florestais da bacia do rio Doce, com informações sobre a variedade e condições da vegetação e fertilidade do solo. Nas áreas avaliadas, as árvores são marcadas com plaquetas e têm suas informações disponibilizadas por QR Code. O objetivo é criar uma referência do ecossistema para nortear as ações de restauração florestal da Fundação Renova, mensurar e comparar o avanço do processo de recuperação ambiental com os ecossistemas de referência da bacia.

REDE DE SEMENTES E MUDAS

A restauração florestal realizada na bacia do rio Doce movimenta uma cadeia de produção de mudas e sementes, em parceria com produtores familiares, assentamentos rurais e comunidades tradicionais. A Rede de Sementes e Mudas, criada em parceria com o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), mobiliza e remunera pessoas e organizações sociais nas atividades de coleta de sementes e produção de mudas. Viveiros de mudas da região também abastecem fornecedores e produtores rurais.

Para saber mais:

Expedição Rio Doce

Qualidade da Água

A água do rio Doce pode ser consumida após passar por tratamento convencional nos sistemas públicos de abastecimento de água. É o que indicam os mais de 1,5 milhão de dados gerados anualmente por um dos maiores sistemas de monitoramento de cursos d’água do Brasil. Desde 2017, a bacia do rio Doce tem pontos de monitoramento e estações automáticas que permitem acompanhar, ao longo do tempo, sua recuperação e gerar subsídios para as ações de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

 

  • Mais de 1,5 milhão de dados gerados pelo programa de monitoramento por ano
    Os dados estão disponíveis no portal Monitoramento Rio Doce, em forma de gráficos e mapas, sendo possível fazer o download das informações em planilhas. A plataforma é um projeto do Programa de Monitoramento Quali-Qualitativo Sistemático de Água e Sedimento (PMQQS) conduzido pela Fundação Renova sob orientação e supervisão do Grupo Técnico de Acompanhamento (GTA-PMQQS).
  • 690 quilômetros de monitoramento de rios e lagoas, mais 230 quilômetros de monitoramento ao longo das zonas costeira e estuarina
  • 82 pontos de monitoramento convencionais distribuídos no rio Doce e na zona costeira indicam que a água bruta pode ser consumida após tratada
  • 22 estações automáticas geram informações em tempo real e os dados são usados no planejamento dos sistemas de abastecimento das cidades
  • 103 parâmetros físicos, químicos e biológicos são analisados na água e 38 nos sedimentos, gerando informações sobre a recuperação ambiental da bacia
    Para divulgar os dados levantados pelo monitoramento, foi criado o Boletim das Águas. O material traz informações sobre a qualidade da água bruta (sem tratamento), níveis de metais encontrados e índices técnicos, entre outros dados, em formato mensal e trimestral. Todos os meses são disponibilizados dados sobre o monitoramento dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce. E, a cada três meses, informações sobre o monitoramento das lagoas, estuários e zona costeira. Saiba mais

Seis órgãos participam desse trabalho, por meio de um Grupo Técnico de Acompanhamento: Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Agência Estadual de Recursos Hídricos do Espírito Santo (Agerh) e Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA).

RECUPERAÇÃO DOS RIOS AO LONGO DO TEMPO

Os resultados do monitoramento da bacia do rio Doce demonstram uma tendência de recuperação em toda a região impactada, com a retomada das concentrações dos parâmetros de qualidade da água em níveis históricos. Mesmo antes do desastre, o nível de turbidez dos rios é mais elevado no período de chuvas – de outubro a março – como já apontava o monitoramento realizado pelos órgãos de gestão de recursos hídricos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os resultados dos períodos chuvosos após o rompimento mostraram uma melhora na condição dos rios impactados. Já no período seco – de abril a setembro – é possível observar, desde 2016, condições similares às de antes do rompimento da barragem de Fundão.

Para saber mais:

Portal Monitoramento Rio Doce
Expedição Rio Doce
Boletins de Qualidade da Água

Biodiversidade

Nos programas de Biodiversidade são desenvolvidas ações de reparação e compensação em ambientes terrestres e aquáticos (dulcícolas e marinho) e em algumas Unidades de Conservação (UCs). Elas são realizadas em parceria com instituições de ensino e pesquisa e empresas de consultoria ambiental, sempre com foco no monitoramento dos impactos e execução de planos para a conservação da biodiversidade da bacia do rio Doce.

BIODIVERSIDADE TERRESTRE

Em um primeiro momento, foi implantado um Programa de Monitoramento para avaliar os impactos em vertebrados, invertebrados, na vegetação e no solo. Partindo do método Rapeld, foram realizadas amostragens em 19 módulos distribuídos entre Fundão e foz do rio Doce.

  • Após um ano de coletas, não foram identificados impactos relacionados diretamente ao rompimento da barragem de Fundão
  • Realizadas entre 2019 e 2020, as campanhas representaram um importante inventariado da biodiversidade terrestre na bacia do rio Doce.

Para a segunda fase do Programa de Monitoramento, uma nova metodologia foi elaborada por um grupo de especialistas. O objetivo é trazer respostas necessárias à atuação da Renova na reparação. As campanhas de monitoramento vão acompanhar os impactos persistentes na bacia e como as comunidades faunísticas e florísticas estão respondendo às ações de melhoria. Confira o vídeo.

Também foi construído o Plano de Ação para a Conservação da Biodiversidade Terrestre. Nele, estão contempladas:

  • 12 estratégias definidas
  • 49 ações que serão executadas ao longo dos próximos anos

BIODIVERSIDADE AQUÁTICA

O Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática é realizado na porção dulcícola, marinha e costeira.

  • Em Minas Gerais, o programa foi iniciado em 2021, por meio de seis projetos de pesquisa selecionados via edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que serão conduzidos por três universidades do estado
  • No Espírito Santo, o programa vem sendo conduzido desde 2018, por meio de parcerias desenvolvidas com a Rede Doce Mar, Empresas de Consultoria e Fundação PROTAMAR, entre outros

EM NOVEMBRO DE 2021, FOI INAUGURADO O PRÉDIO BIODIVERSIDADE AQUÁTICA (BIOAQUA), NO CENTRO UNIVERSITÁRIO NORTE DO ESPÍRITO SANTO (CEUNES), EM SÃO MATEUS. A OBRA É FRUTO DO ACORDO TÉCNICO-CIENTÍFICO FIRMADO ENTRE UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES), VIA FUNDAÇÃO ESPÍRITO-SANTENSE DE TECNOLOGIA (FEST), E FUNDAÇÃO RENOVA.

Desde 2017, a Fundação Pro-Tamar realiza o monitoramento das tartarugas marinhas na costa do Espírito Santo e da Bahia.20 tartarugas das espécies Caretta caretta receberam transmissores e estão sendo acompanhadas remotamente.

PUBLICADO EM 2021, O LIVRO VERMELHO DA BIOTA AQUÁTICA DO RIO DOCE AMEAÇADA DE EXTINÇÃO PÓS-ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO, MARIANA | MINAS GERAIS É FRUTO DE UM ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA COM A FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS. A PUBLICAÇÃO APRESENTA NA ÍNTEGRA UMA AVALIAÇÃO DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES DA BIOTA AQUÁTICA IMPACTADAS PELO ROMPIMENTO DE FUNDÃO. TRATA-SE DA PRIMEIRA VEZ QUE UMA LISTA DE ESPÉCIES AMEAÇADAS, FAZENDO USO DA METODOLOGIA DA IUCN, É GERADA EM ESCALA DE BACIA HIDROGRÁFICA.

Em dezembro de 2021, foi elaborado o Plano de Ação para Recuperação e Conservação da Biodiversidade Aquática, que prevê:

  • 17 estratégias de recuperação e conservação
  • 60 ações, muitas delas já em andamento

Unidades de Conservação

Estudos de Avaliação de Impactos Ambientais estão sendo realizados em Unidades de Conservação (UCs) potencialmente impactadas e darão subsídios às ações de reparação e mitigação que se façam necessárias.

DOS R$ 93 MILHÕES EM RECURSOS COMPENSATÓRIOS QUE SERÃO REPASSADOS PELA FUNDAÇÃO RENOVA AO PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE, CONSIDERADO A MAIOR FLORESTA TROPICAL DE MINAS GERAIS, MAIS DE R$ 25,5 MILHÕES JÁ FORAM DEPOSITADOS.

A Fundação Renova também custeará ações para consolidação do Refúgio De Vida Silvestre de Santa Cruz (ES), além da construção da sede, elaboração e execução do Plano de Manejo da nova área de proteção ambiental na foz do Rio Doce (ES), que ainda será criada pelo poder público.

Recuperação da Fauna Silvestre

Outra frente de trabalho atuará na construção e aparelhamento de dois Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), um em Minas Gerais e outro no Espírito Santo. Cada um dos projetos inclui construção e aparelhamento das instalações, assim como custeio da manutenção operacional por um período de três anos.

Para saber mais:

Expedição Rio Doce