Fundação Renova

Primeiro dia do workshop sobre restauração florestal gerou muitos debates e sugestões

Publicado em: 03/05/2017

Reflorestamento

Especialistas e representantes de órgãos ambientais e da sociedade civil discutiram possíveis caminhos para a restauração florestal o Vale do rio Doce

Com o objetivo de obter subsídios para orientar a restauração florestal no Vale do rio Doce, a Fundação Renova reuniu especialistas e representantes de órgãos ambientais e da sociedade civil em um workshop sobre o tema. A ideia é que as discussões e os trabalhos colaborativos contribuam para a construção de um Plano de Ações que contemple alternativas sociais, econômicas e ambientais baseadas em experiências reais de sucesso.

O encontro começou hoje, dia 3 de maio, e vai até amanhã, dia 4. Roberto S. Waack, diretor-presidente da Fundação Renova abriu o evento, dando um panorama geral sobre a proposta de restauração florestal da instituição, explicando importância do Comitê Interfederativo (CIF) e das Câmaras Técnicas para o bom andamento dos trabalhos. “É um evento marcante para a Fundação, para deixar um legado a longo prazo para o rio Doce. Nosso desafio é restaurar mais de 40 mil hectares ao longo da calha do rio”, comenta.

PALESTRAS

O evento é dividido em palestras e momentos de discussão em grupos. Na manhã do primeiro dia do workshop, cinco palestras fizeram parte da programação e abriram o caminho para as discussões coletivas.

  • Henrique Lobo, do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Doce, apresentou um panorama das características da bacia, abordando, também, as áreas degradas por pastagens;
  • Warwick Manfrinato, do Ministério do Meio Ambiente, abordou a importância dos corredores ecológicos para a conectividade de paisagens;
  • Mateus Dela Senta, do Ministério do Meio Ambiente, falou sobre o papel da Comissão Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg);
  • Rachel Biderman, do World Resources Institute (WRI-Brasil), explicou o contexto da restauração florestal no Brasil e;
  • Ludmila Pugliese, do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, apresentou as ferramentas e a metodologia de trabalho do Pacto.
Especialistas e pesquisadores participam do primeiro dia do Workshop de Restauração Florestal do Vale do Rio Doce, promovido pela Fundação Renova.

Especialistas e pesquisadores participam do primeiro dia do Workshop de Restauração Florestal do Vale do Rio Doce, promovido pela Fundação Renova. | Foto: João Bosco.

Nas palestras da tarde, o foco foi a apresentação das diferentes experiências em restauração florestal para subsidiar o Plano de Ações, que será construído pela equipe da Fundação Renova e parceiros. As metodologias dos diferentes trabalhos foram apresentadas e serviram de base para que os grupos pensassem os possíveis caminhos a seguir.

  • Severino Pinto, do Instituto BioAtlântica, falou sobre a importância dos produtores de insumos (coletores de mudas e fornecedores de sementes) para a cadeia produtiva da restauração florestal;
  • Cláudio Pádua, do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), abordou temáticas diversas, como corredores ecológico, gestão de paisagens e Sistema Agrofloresta;
  • Alan Batista, da World Resources Institute (WRI Brasil), contou sobre a experiência do Projeto de Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas (Verena), que tem como objetivo demonstrar a viabilidade técnica e econômica da restauração e do reflorestamento com espécies;
  • Aurelio Padovezi, da World Resources Institute (WRI Brasil), apresentou o Guia sobre a Metodologia de Avaliação de Oportunidades de Restauração Florestal (ROAM) e;
  • Jurandir Melado, da Fazenda Tiriqueda, contou sobre sua experiência na fazenda, onde desenvolveu a metodologia o manejo de pastagem ecológica.

GRUPOS DE TRABALHO

Na parte da tarde, além das palestras, os participantes se reuniram para as discussões em Grupos de Trabalho. Esse foi um momento de troca de experiências, sugestões e opiniões. Para uma melhor organização dos debates, em cada mesa, havia um facilitador técnico, especialista em restauração florestal e um facilitador metodológico da Fundação Dom Cabral (FDC). Ao todo, quatro eixos temáticos foram discutidos pelos grupos:

  • Eixo 1 – Gestão e planejamento da paisagem: como planejar e gerir a paisagem para que, ao final, se tenha 40 mil hectares de floresta restaurados e 5 mil nascentes protegidas?
  • Eixo 2 – Oportunidades socioeconômicas: quais são as oportunidades socioeconômicas associadas à restauração florestal?
  • Eixo 3 – Restauração de baixo custo: o que levar em conta na hora de definir as metodologias de restauração ambiental (barreiras e potencialidades)?
  • Eixo 4 – Governança de paisagens: qual o melhor modelo de governança para organizar os esforços de restauração?

Ao final dos Grupos de Trabalhos, os facilitares técnicos e um representante de cada eixo deram um feedback sobre as discussões. “Estou terminando o dia sabendo um pouquinho mais do que quando cheguei aqui. Nós passamos por grupos riquíssimos. Os temas de cada eixo foram discutidos a contento, com bons encaminhamentos”, afirma José Carlos Carvalho, engenheiro florestal e sócio-diretor da Seiva Consultoria em Meio Ambiente e Sustentabilidade.

O workshop faz parte das ações do Programa de Recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), que prevê a restauração de 40 mil hectares de vegetação, sendo 30 mil por meio da condução da regeneração natural e 10 mil por meio de plantio direto. O trabalho da Fundação Renova também prevê a recuperação de 5 mil nascentes – abrangendo cerca de 5 mil hectares –, que receberão o plantio de árvores no entorno.

Além disso, serão recuperados os cerca de 2 mil hectares impactados pelo rompimento da barragem de Fundão. A estimativa inicial é que a recuperação vegetal dessas APPs demande até 20 milhões de mudas nativas, principalmente da Mata Atlântica.

O encontro foi transmitido, em tempo real, pelo canal da Fundação Renova no YouTube e também pelo site. Assista ao evento na íntegra:

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